terça-feira, 11 de setembro de 2012





barocco* há uns anos, nas aulas de História da Arte e História do Urbanismo o professor mostrava-nos uns slides velhinhos das suas viagens por Itália enquanto olhava de forma pouco discreta para os decotes das minhas colegas que se sentavam nas filas da frente. Era um apaixonado por Arte, por mulheres bonitas, pela música dos Mão Morta (algo talvez pouco usual para alguém com cerca de 70 anos) e um excelente contador de histórias. Mas nada do que nos mostrou, do que disse, nem nenhum dos muitos livros que nos mandou ler me podia preparar para a enormidade do barocco italiano. Anos mais tarde um outro professor, de História da Cultura Mediterrânica, falou-nos das igrejas tesouro, típicas do barroco, com fachadas de traços simples e até austeros e dos seus interiores inesperadamente ricos. Pretendia-se com isto transmitir a ideia de que as pessoas deveriam ser humildes e discretas contendo almas ricas em bondade e outras características dignas a uma entrada no paraíso. A ideia é interessante e resulta perfeitamente, posso dizer que o meu queixo caiu ao entrar em cada uma destas igrejas, mas o exagero é tão, tão grande, que o ser cisterciense que há em mim não as conseguiu admirar como se calhar seria suposto. As fotos foram tiradas na Iglesia de Gesu, em Palermo e nem por perto conseguem mostrar a realidade. São certamente poucos os centímetros quadrados, das paredes interiores desta igreja, que não estão ocupados com anjos, frutas, animais, plantas. Talvez o chão seja de tudo o mais simples, mas até isso é faustoso, é todo feito de mármore de vários tons, branco, amarelo, vermelho e preto, formando rosetas enormes.
Esta igreja foi quase completamente destruída na segunda grande guerra e a sua reconstrução demorou apenas 11 anos. Não sei se os querubins gorduchos e fofinhos a despedaçar pessoas, com ferramentas e fogo, já existiam originalmente, mas fizeram-me pensar, serão talvez uma mensagem sobre o lado negativo das aparências abastadas?