segunda-feira, 3 de setembro de 2012










luigi* depois de ver muitos destes belíssimos 500, vi um horroroso ferrari vermelho com a capota aberta e uma garrafa de água para o socorrer. Acho que os noivos que pomposamente o estavam a usar se devem ter arrependido de não ter arranjado um pequenito destes.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012





felicidade* nenhures perto de Loulé, o silêncio interrompido por conversas e risos. Sem telemóveis, sem computador, sem televisão, sem ligação ao mundo, com um céu despoluído de luz artificial e uma mesa cheia de alegria.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

amor 4* a mente obsessiva compulsiva fez com que desenvolvesse um conjunto de rituais pouco fáceis de aceitar. Lava as mãos durante muito tempo sempre com a água a correr, para não ter que tocar na torneira, depois seca-as com gestos coreografados pela obrigatoriedade auto-imposta, por fim as luvas e já está pronta para recomeçar o ciclo. Não encontra correspondência de amor em ninguém, por isso criou um mundo onde aprisiona tudo dentro de sacos de plástico, cada um com o seu conteúdo injustificado. Ao andar ouve-se um baile de polietileno vindo da sua mala. Sorri da mesma forma que chora, o seu discurso é contínuo e monótono onde vai destacando os seus feitos e sacrifícios. "Sou muito boa pessoa, mas não percebo porque ninguém gosta de mim." Apaixonou-se por si tão nova que não se lembrou de amar mais ninguém.
Este é o caso de amor mais complicado que encontrei e vai ser o mais difícil de ilustrar.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

etic_algarve * onde aprendi muito e onde há uns meses decidi mudar de vida, outra vez!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012





férias grandes* hoje de manhã fui a elefante do circo. O tigre nunca saiu da personagem, nem mesmo quando subiu perigosamente para a instável mesa do terraço quando a sua tratadora se distraiu. A gatinha passou muitas vezes pelo arco, sem se enganar. E a apresentadora estava muito concentrada na organização do espectáculo. Gostei muito deste circo com animais a fingir e a chinelar de um lado para o outro, mas o dever chamou e lá tive que regressar à realidade.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012




pelar* as casas sem gente começam a morrer lentamente, o primeiro sintoma é quando lhes começa a saltar a pele.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

amor 3* os lares são uma espécie de infantário/prisão. As pessoas que lá vivem são adultas, mas não são completamente livres e são tratadas como se fossem crianças idiotas. Uma viúva enamorada que deixa bilhetes apaixonados no quarto do viúvo mais cobiçado é repreendida e acaba por deixar de o fazer. A história espalha-se e ela torna-se mal vista pelas outras "Onde já se viu, que oferecida?". Ele vai agora casar com uma rapariga nova de sessenta e tais, quase setenta, diz-se já que  "é uma espertalhona ansiosa por metade da reforma, quando se tornar viúva". A crueldade para com os sentimentos dos outros persiste com a idade. É uma pena e assim começam os namoros às escondidas pela calada da noite, a fugir das funcionárias e sobretudo da má-língua. Quando algum encontro mais escaldante é descoberto, lá são chamados os filhos, "Porque isto é uma pouca vergonha, já não têm idade para isto!". A risota pouco discreta espalha-se de boca em boca, e aquilo que poderia ser um final de vida melhor transforma-se numa vergonha conhecida por todos.

domingo, 12 de agosto de 2012

ver* é tão subjectivo, não temos termos de comparação. Há uns dias, o namorado de uma amiga, contava-nos como descobriu que tinha a visão do olho direito muito diminuída. Tinha 14 anos e numa ida ao cinema os amigos falaram-lhe de coisas do filme que ele simplesmente não tinha visto, não por distracção, mas porque não as conseguia ver. Há uns anos um casal, de quem gosto muito, estava a passear e ele pediu-lhe que ela tirasse uma fotografia a umas águas furtadas de que tinha gostado muito. Quando foram ver a fotografia descobriram como viam o mundo de forma diferente, na imagem só se conseguia ver uma pequena parte das águas furtadas. A diferença de cerca de 30 cm de altura faz ver as coisas de outra forma.  Nas aulas de laboratório de biologia eram constantes as discussões de dois amigos meus relativamente às cores com que deveriam representar as observações microscópicas realizadas. Anos mais tarde um deles descobriu que era daltónico. Nada disto tem que ver com interpretação, apenas com diferenças físicas e quando a isto se adiciona tudo o resto, as coisas ainda se complicam mais.
Há uns anos, a minha escola recebeu a visita de um representante da Amnistia Internacional. Na sala 100, que já não existe, falou-nos de muitos casos de acusações realizadas tendo por base testemunhas oculares. Por vezes havia uma testemunha que contradizia as outras, mas por estar em minoria não era tida em conta. A diferença estava no posicionamento, no ângulo de visão, na posição da pessoa em relação à iluminação, infelizmente estes factores não eram considerados e houve muitas condenações a prisão perpétua e à morte de pessoas inocentes. Hoje em dia a ciência já ajuda a diminuir estas injustiças, mas os testemunhos continuam a conduzir as investigações e nem sempre no caminho da verdade. Este encontro marcou-me de tal forma, que ainda hoje quando me perguntam o que vi e o que outras pessoas disseram, em determinada situação, tenho muito receio de ser pouco precisa ou de influenciar os outros com interpretações incorrectas. Há tantos factores que nos podem levar em erro, visão limitada, memória, perspectiva, o facto de gostarmos de uma pessoa ou não...
Há umas semanas num exercício em que tive que descrever uma garrafa de água, estava tão concentrada a ser precisa e cuidadosa na escolha das palavras, que me esqueci do óbvio, de dizer o que a garrafa continha.
De madrugada, num lugar com pouca poluição luminosa, estive a observar o céu durante algum tempo e com o passar das horas o mapa cósmico lá ia mudando e finalmente percebi como na antiguidade já se sabia tanto sobre planetas e outros astros, porque as pessoas "viam melhor", observavam mais. Podiam não ter tantos conhecimentos, nem as ferramentas necessárias, mas também não tinham tantos preconceitos.

sábado, 11 de agosto de 2012



lua de Agosto*

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


lixo?* cá por casa nos últimos dois anos temos juntado as tampas das embalagens que utilizamos. Hoje estive a organizá-las e fiquei muito satisfeita com algumas das análises que fiz, a grande maioria das embalagens não foram compradas, nem utilizadas por mim e aquelas que o foram são quase todas de uso comum - detergentes de roupa e loiça. Fiquei muito surpreendida com a quantidade de produtos diferentes que são utilizados pela minha flatmate. Quando digo que sou uma pessoa de baixa manutenção, não estou a mentir, mas mesmo assim este exercício ajudou-me a perceber onde posso reduzir o meu consumo.
Vou guardar algumas destas tampas para um trabalho que vou fazer durante o inverno e as outras, vão para a reciclagem.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

domingo, 5 de agosto de 2012


citius, altius, fortius* Im Dong Hyun é o actual campeão olímpico de tiro com arco e por acaso tem apenas 10% de capacidade visual. 

sábado, 4 de agosto de 2012

amor 2* a Dona I. insistiu: "namorem muito minhas queridas, namorem muito, porque só assim é que vão saber escolher!" alguém começou por dizer "Mas..." ao que a senhora prontamente interrompeu "mas nada... não podem é estar sempre com velhos como eu, têm que sair mais e conhecer pessoas diferentes".
Cá está solteiros do mundo, basta sair e conhecer pessoas diferentes et voilá em breve estarão a escolher de entre um pantone variado.
Estou ansiosa pelo próximo encontro, estão prometidos álbuns de fotografias!!!

quarta-feira, 1 de agosto de 2012


olhão*

terça-feira, 31 de julho de 2012

amor 1* ontem ouvi a Dona I., com mais de sete décadas de vida. E hoje só penso em como gostaria de estar com ela novamente, como preciso de a ouvir mais e mais. Ontem contou-nos a sua história de amor, que são muitas histórias de amor juntas. Nunca tinha ouvido nada tão verdadeiro e emocionante. Vi a fotografia de uma das personagens principais e a sua voz doce a dizer "o meu marido era um homem muito bonito, não era?".
Era muito, e não o digo só por se parecer com um galã de cinema dos anos 50!

sábado, 28 de julho de 2012




estação* há 15 anos que tenho uma relação amorosa secreta com comboios. Como todas as longas relações, tem fases: começou por ser uma relação semanal, depois mensal, trimestral, durante 5 anos arrefeceu e tornou-se ocasional, há um ano intensificou-se passando a ser diária, agora voltou a haver um afastamento. Ontem tive a sorte de rever um dos meus revisores preferidos e algumas das personagens que "vivem" nas estações.
As estações não são apenas locais de passagem e de espera, são lugares cheios de vida. A estação de Portimão é a sala de estar de 3 senhores que estão ali todos os dias para conversar, passar o tempo e tentar enganar a solidão. Em Faro há o trabalhador por conta própria que pede uma moeda (antes 100 escudos, agora 1 euro, não foi só nos estabelecimentos que se fez esta conversão) porque é o que lhe falta para conseguir pagar um bilhete para Olhão, nestes anos todos posso garantir que nunca o vi entrar num comboio, a estação é o seu ganha vinho. Em Tunes existem os famosos loucos da estação (talvez não tão loucos assim e em Lagos temos os famosos rooms, um dos quais, quando não está com potenciais clientes, me faz uma pequena vénia e diz "como está minha senhora?" para além dele só há mais uma pessoa me trata assim de quem gosto, um antigo revisor e agora um dos funcionários de bilheteira da estação de Lagos, que é das pessoas mais simpáticas que conheço.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

"A noiva" de Joana Vasconcelos
etiquetar* parece que há uma urgência em colocar etiquetas nas pessoas. Basta sair do útero e lá vão sendo definidos os contornos. Nos primeiros tempos há falta de características, então pega-se no visível. Os olhos são da mãe, as orelhas do avô, o nariz do pai e as mãos da tia. Há uns anos, quando um amigo do meu irmão teve a primeira filha, muitas pessoas lhe diziam "Ah tem os teus olhos!", ao que ele respondia prontamente: "Não, não, são dela!"
Há algum tempo, numa conversa sobre comportamento, foi-me contado que num grupo de crianças, uma delas tinha uma tatuagem permanente com o símbolo de bipolaridade. Confesso que por mais que pense nisto, não consigo compreender. Tento colocar-me no lugar dos pais, mas continuo a achar uma decisão demasiado radical e que mais do que proteger vai estigmatizar. O diagnóstico de uma doença faz parte da pessoa e não deve nem pode defini-la, assim como qualquer outra característica.
Há um facilitismo em etiquetar é mulher, é homem, é heterossexual, é homossexual, é branco, é preto, tem défice de atenção, é de um bairro social...
A Joana Vasconcelos é a primeira portuguesa a expor em Versailles, e é também a primeira mulher a fazê-lo. Como é possível? Nunca houve mais nenhuma artista com nível suficiente para fazê-lo? Não quero retirar nenhum valor ao seu trabalho, mas duvido que isso seja possível. Ainda há muitos lugares onde são colocadas etiquetas a dizer "mulher" e isto até nem é o mais grave. Há uns meses li uma notícia que se referia a um estudo realizado nos hospitais dos Estados Unidos. Um estudante ao analisar dados estatísticos hospitalares, verificou que morriam mais mulheres do que homens, de doenças cardíacas nos serviços de emergência. E que esse número ainda era maior quando se tratava de mulheres negras. Realizou depois um estudo para tentar perceber porque razão isso acontecia. Conclusão, os sintomas em muitas mulheres não são os conhecidos: dor no peito, dormência no braço esquerdo - então o diagnóstico falha. A diferença de sintomas pode ser uma novidade para uma pessoa comum, mas não o é para a comunidade médica, no entanto o preconceito continua a fazer com que se comentam erros fatais.
As etiquetas devem estar nas peças de pronto a vestir para sabermos qual o seu preço, onde são fabricadas, qual a sua constituição e como lavar, mas não servem para colocar nas pessoas. Há obviamente maior complexidade numa pessoa do que numa peça de roupa.

terça-feira, 24 de julho de 2012


janelas sem vista* costumo dizer que um dia ainda hei-de viver num T0 com vista para um muro, mas a verdade é que não tenho uma ambição assim tão grande. Os sonhos esses são enormes, nada têm que ver com mudanças de modo de vida, mas com trabalho. Hoje o blogue ultrapassou os 1500 visitantes e quando o iniciei não poderia pensar que em tão pouco tempo atingisse esse número.
Obrigada a todos os que visitam os Manjericos, eles gostam muito!

quinta-feira, 19 de julho de 2012










deambular e decidir* são dois dos meus verbos preferidos. Depois de tomar uma decisão muito importante fui deambular por Silves com a companhia da máquina fotográfica e sob um sol castigador. A liberdade é essencial para decidir e deambular!

quarta-feira, 18 de julho de 2012



auto-retrato*
Declaro que fiz a entrega de um quadro da minha autoria, pintado a óleo sobre tela, representando o meu retrato, como prova de gratidão pelas atenções que me têm sido concedidas pela Biblioteca Municipal de Silves e pelos seus dirigentes. Estou muito sensibilizada com a honra que me dão, integrando-me assim na minha cidade. Em caso de qualquer alteração deste meu dispositivo, e não sendo possível à Biblioteca Municipal aceitá-lo, o quadro seria entregue ao Museu Municipal de Silves ou à Câmara dessa mesma cidade, se assim entenderem. Ou seria entregue à minha família.
Espero fazer-lhes boa companhia e agradeço a honra que me dão de regressar  à minha cidade.
Maria Keil

terça-feira, 17 de julho de 2012







planet café* com a sua planet girl para servir cafés. Pintura em acrílico sobre parede.