quinta-feira, 13 de setembro de 2012














mercati* tivemos a oportunidade de conhecer três mercados de rua de Palermo. Adoro mercados, por muitas razões, uma das quais porque é uma boa forma de conhecer pessoas e perceber melhor os lugares onde estamos. O maior e mais variado mercado onde estivemos tinha de tudo, desde tecidos a peixe. Ao ver as fotografias apercebi-me que não tirei nenhuma ao peixe e à carne em detalhe. Posso dizer que me impressionou bastante ver esses produtos expostos ao sol e repletos de moscas. O cheiro a podre intensificado por um calor imenso era ainda mais impressionante. Parece-me que ainda há lugares na Europa livres de forças de policiamento de higiene. Por estranho que possa parecer, gostei disso. Lamento não ter experimentado os mercados de manhãzinha cedo, onde com certeza haveria maior actividade e maior frescura dos produtos. Mas não foi assim tão fácil descobri-los no meio de bairros labirínticos.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012






 cattedrale* 

terça-feira, 11 de setembro de 2012





barocco* há uns anos, nas aulas de História da Arte e História do Urbanismo o professor mostrava-nos uns slides velhinhos das suas viagens por Itália enquanto olhava de forma pouco discreta para os decotes das minhas colegas que se sentavam nas filas da frente. Era um apaixonado por Arte, por mulheres bonitas, pela música dos Mão Morta (algo talvez pouco usual para alguém com cerca de 70 anos) e um excelente contador de histórias. Mas nada do que nos mostrou, do que disse, nem nenhum dos muitos livros que nos mandou ler me podia preparar para a enormidade do barocco italiano. Anos mais tarde um outro professor, de História da Cultura Mediterrânica, falou-nos das igrejas tesouro, típicas do barroco, com fachadas de traços simples e até austeros e dos seus interiores inesperadamente ricos. Pretendia-se com isto transmitir a ideia de que as pessoas deveriam ser humildes e discretas contendo almas ricas em bondade e outras características dignas a uma entrada no paraíso. A ideia é interessante e resulta perfeitamente, posso dizer que o meu queixo caiu ao entrar em cada uma destas igrejas, mas o exagero é tão, tão grande, que o ser cisterciense que há em mim não as conseguiu admirar como se calhar seria suposto. As fotos foram tiradas na Iglesia de Gesu, em Palermo e nem por perto conseguem mostrar a realidade. São certamente poucos os centímetros quadrados, das paredes interiores desta igreja, que não estão ocupados com anjos, frutas, animais, plantas. Talvez o chão seja de tudo o mais simples, mas até isso é faustoso, é todo feito de mármore de vários tons, branco, amarelo, vermelho e preto, formando rosetas enormes.
Esta igreja foi quase completamente destruída na segunda grande guerra e a sua reconstrução demorou apenas 11 anos. Não sei se os querubins gorduchos e fofinhos a despedaçar pessoas, com ferramentas e fogo, já existiam originalmente, mas fizeram-me pensar, serão talvez uma mensagem sobre o lado negativo das aparências abastadas?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012







museo internazionalle delle marionette* centenas e centenas de marionetas "conservadas" numa sauna bafienta e quase irrespirável. A colecção é maravilhosa. Saliento as marionetas Sicilianas e algumas outras da Indonésia e do Japão. A minha pobre e paciente companhia de viagem refugiou-se na sala de apresentações, onde havia uma levíssima brisa de ar, enquanto andava a babar-me de sala em sala.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012







orto botanico di Palermo*

quinta-feira, 6 de setembro de 2012



teatro massimo* pela segunda vez na vida tive uma reacção lacrimejante ao entrar num edifício, na realidade ao entrar na sala de espectáculos. Para piorar a situação um violoncelista estava a ensaiar Madama Buterfly, que vai estar em cena de 18 a 25 de Setembro.
Este extraordinário edifício sobreviveu a duas grandes guerras, sismos, cheias, divas, encenadores loucos e à cena final de O Padrinho III.
Passei algum tempo a admirar esta maravilha gigante, mas só depois de entrar é que a compreendi.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012


cosa nostra* o orgulho siciliano é mais fechado do que estava à espera. O sorriso é difícil e a conversa curta. Mesmo os mais simpáticos parecem presos por uma força invisível, não é timidez, não é aversão pelo estrangeiro, também não são bichos-do-mato. É uma mistura de desconfiança e indiferença que se torna rude, não quebra mesmo após um buongiorno, um scusi ou um grazie sorridentes. As conversas mais longas foram entre um simpático e ensanguentado talhante junto da sua banca de moscas e carne, um talentoso ceramista (este sim tímido), um senhor sentado numa esplanada, que se meteu connosco, com as suas pulseiras de ouro e gritando o seu amor pelo fado de Lisboa e uma senhora que depois de nos perguntar de onde éramos nos atirou com esta il portoghese sono tutti complicatti. Confesso que concordo, excepto no tutti, porque enfim não conheço os 10 milhões. 

terça-feira, 4 de setembro de 2012







zzzz* a condução dos italianos fez-me perceber que, na estrada, os espanhóis até são cuidadosos e os portugueses uns cavalheiros. Cada travessia de rua foi uma aventura. As regras existem, estão lá, às riscas no pavimento, nos sinais, nos semáforos, mas definitivamente o seu cumprimento é coisa para meninos de coro. Mesmo com uma passadeira cheia de gente e com o sinal vermelho, carros e vespas são investidos pelos seus condutores numa urgência louca.