terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
carnaval de Odeáxere*escrevo Ode e não Odi, porque sou teimosa nestas coisas. Ode deriva do árabe ued e significa rio. Até há alguns anos, a ribeira de Odeáxere tinha muita água, tanta que em certas alturas do ano só uma pessoa era capaz de a atravessar. Quando alguém precisava de alguma coisa da outra margem iam chamar uma tia avó minha, que era a única que se atrevia a entrar na corrente brava. Segundo o que o meu pai conta eram muitas as pessoas que iam ver a proeza da travessia que fazia no seu carro de bestas "nem os homens tinham coragem de se meter por ali fora". Não querendo desvalorizar a sua coragem, mas os pobres dos animais deviam ser bastante valentes, não é qualquer animal que se deixa guiar com água acima do dorso.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
era uma vez...*por vezes tenho receio de me estar a divertir mais do que os participantes das oficinas. Adoro ver as folhas brancas a ficarem preenchidas com histórias, as que eles querem contar e as que nós vemos. A tarde de ontem foi muito bem passada, na sala de actividades da biblioteca de Silves (com uma vista bonita e uma luz incrível). Gostei muito dos resultados quer das crianças, quer dos adultos que as acompanharam.
Cada vez mais acredito no poder do desenho para tornar as pessoas mais felizes. Acredito que todos podem desenhar e muito bem! A minha ideia de desenho bonito e bem feito não é o desenho realista, é aquele que consegue mostrar o que se viu, o que se sentiu, o que se imaginou, o que se quer contar.
Na minha opinião todos temos essa capacidade, só que uns desenvolvem-na e outros deixam de a usar. Tenho muita pena que nas escolas se esteja a cortar cada vez mais nas disciplinas de desenho, música, artes e ofícios, filosofia, língua portuguesa e estrangeira. Já se nota a dificuldade de expressão e compreensão das pessoas, mas daqui a uns anos será mais evidente. Ontem, mesmo os participantes mais tímidos, conseguiram mostrar e explicar mais do que alguns jovens de vinte e poucos anos. Ouvir e ler o que dizem e escrevem alguns recém licenciados é arrepiante.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
OFICINA
Era uma vez...
Atelier para famílias, idade mínima 5 anos
Biblioteca Municipal de Silves, dia 9 de Fevereiro, sábado, às 15.30h
A inscrição pode ser feita através:
do telefone: 282 442 112
ou por mail: biblioteca@cm-silves.pt
Horário de Funcionamento da Biblioteca:
3ª a 6ª feira – 10.00h – 19.30h
2ª e sábado – 14.30h – 19.30h
Encerra: domingos e feriados
Era uma vez...
Atelier para famílias, idade mínima 5 anos
Biblioteca Municipal de Silves, dia 9 de Fevereiro, sábado, às 15.30h
A inscrição pode ser feita através:
do telefone: 282 442 112
ou por mail: biblioteca@cm-silves.pt
Horário de Funcionamento da Biblioteca:
3ª a 6ª feira – 10.00h – 19.30h
2ª e sábado – 14.30h – 19.30h
Encerra: domingos e feriados
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
roupa* faz hoje um ano que não compro qualquer artigo de vestuário. É possível que ao longo da minha vida já o tenha feito, até durante mais tempo, mas nunca de forma intencional. Já há alguns anos que tudo aquilo que não uso, e não estou a falar só de roupa, ofereço ou vendo. Não gosto de ter só por ter e prefiro ter espaço do que acumular. Depois de ler um artigo sobre a percentagem de roupa que se tem em casa e que não se usa, não me recordo qual era a média, mas era um número elevado, pensei "realmente há coisas que tenho que raramente uso, mas não é possível que seja tanto". Como sei que temos a tendência a achar que não fazemos os mesmos disparates que os outros abri o roupeiro e analisei-o com atenção. Posso dizer que fiquei bastante envergonhada, porque até um vestido com a etiqueta do preço encontrei.
Durante este tempo não senti qualquer necessidade de comprar o que quer que fosse, mas também não passei a usar tudo. Continuo a vestir sempre o mesmo, por isso chegou a hora de decidir: ou passo a vestir tudo o que tenho ou ofereço-o. É ridículo ter as coisas guardadas.
Durante este tempo não senti qualquer necessidade de comprar o que quer que fosse, mas também não passei a usar tudo. Continuo a vestir sempre o mesmo, por isso chegou a hora de decidir: ou passo a vestir tudo o que tenho ou ofereço-o. É ridículo ter as coisas guardadas.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
La double vie de Véronique*de Krzysztof Kieslowski. A primeira vez que ouvi falar deste filme foi, há uns anos, no Teatro Lethes, em Faro, num encontro sobre cinema, organizado pelo Cineclube. Na altura mostraram esta cena, da qual não gostei particularmente, mas mesmo assim ficou na minha lista mental de filmes a ver. Só ontem tive a oportunidade de o fazer (mais uma vez graças a um encontro feliz na biblioteca) e descobri que tenho um problema... os filmes que mais gosto ou são comédias (mas daquelas a sério, não o género leve e agradávelzinho), ou dramas tremendos, ou uma conjugação perfeita das duas coisas, de que A vida é Bela, é um excelente exemplo. Bem, A dupla vida de Véronique é um drama invulgar porque despe as personagens de grandes qualidades e de grandes defeitos, mostrando antes o que sentem, para que se perceba o que são, e neste ponto, mas só aqui, achei-o semelhante a Shame de Steve McQueen. Uma das minhas cenas preferidas é esta.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
esquissos*há uns dias estava a fazer um esquisso de uma planta imaginada, e às tantas pensei, mas onde é que já vi isto? Não me acontece muitas vezes, mas faz com que fique com a sensação frustrante de que estou a copiar o trabalho de alguém. Há pouco a rever o esquisso, comecei a ter novas ideias e a alterar, mas depois lembrei-me. O nosso cérebro é uma máquina extraordinária, as alterações que estava a fazer, não eram novas ideias, elas sim, eram uma cópia involuntária de um desenho que um grande amigo fez há uns 10 anos. Nas últimas semanas tenho pensado bastante nele, talvez por isso a máquina pensadora tenha ido buscar esta imagem particular. Agora apetecia-me estar com ele para ter uma daquelas conversas loucas em que por regra acabávamos com dores de barriga de tanto rir. Mas tanto ele, como outros companheiros dessas conversas estão migrados ou em processo de migração... caramba a debandada está a custar-me como nunca.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
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| A noite estrelada, Vincent Van Gogh |
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
"ler pode tornar o homem perigosamente humano"
Guiomar de Grammon
Os meus irmãos e eu adoramos ler, mas nunca fomos incentivados a ler uma página, os livros eram uma raridade em casa. Para tentar perceber o porquê da minha paixão pela leitura e pelo objecto livro estive a fazer uma viagem pelas minhas memórias.
O meu primeiro contacto com a leitura foi mau, a minha mãe foi chamada à escola para conversar com a professora: " Estou muito preocupada com a Ana, é a única que não lê, já estão todos mais avançados do que ela." A minha mãe diz com muito orgulho que foi ela quem me ensinou a ler e que aprendi numa semana (não tenho provas, mas acho que o que eu tinha era vergonha de ler alto).
Nas minhas primeiras visitas à velhinha Caloust Gulbenkian, que havia no centro da cidade, fui acompanhada pela minha irmã. A minha timidez absurda impedia-me de ir à biblioteca sozinha, na realidade impedia-me de fazer uma série de coisas simples, como pedir um livro específico ao qual não conseguia chegar. Mas a saída da minha irmã de casa, para estudar, e a possibilidade de vir a receber um postal da biblioteca devido a atraso de entrega dos livros, lá me empurraram e comecei a ir sozinha. Portanto aos 12 anos a paixão pela leitura já era muito forte, pelo menos maior do que o terror que sentia por ter que falar com a funcionária da biblioteca. Quando digo terror não estou a exagerar, as minhas mãos tremiam, o coração batia loucamente, sentia uma espécie de náusea durante todo o caminho, ao longo do qual ia treinando mentalmente o que tinha que dizer... para no fim gaguejar baixinho boa tarde e obrigada. Não consigo perceber este medo.
Talvez o maior incentivo para ler tenha vindo das minhas grandes amigas de infância, todas elas grandes leitoras. Talvez nos tenhamos influenciado umas às outras. Lembro-me da rapidez com que elas devoravam os livros, nunca lhes consegui acompanhar o ritmo, ainda hoje me considero uma leitora lenta, o prazer em ler, esse, tem vindo sempre a aumentar.
O meu primeiro contacto com a leitura foi mau, a minha mãe foi chamada à escola para conversar com a professora: " Estou muito preocupada com a Ana, é a única que não lê, já estão todos mais avançados do que ela." A minha mãe diz com muito orgulho que foi ela quem me ensinou a ler e que aprendi numa semana (não tenho provas, mas acho que o que eu tinha era vergonha de ler alto).
Nas minhas primeiras visitas à velhinha Caloust Gulbenkian, que havia no centro da cidade, fui acompanhada pela minha irmã. A minha timidez absurda impedia-me de ir à biblioteca sozinha, na realidade impedia-me de fazer uma série de coisas simples, como pedir um livro específico ao qual não conseguia chegar. Mas a saída da minha irmã de casa, para estudar, e a possibilidade de vir a receber um postal da biblioteca devido a atraso de entrega dos livros, lá me empurraram e comecei a ir sozinha. Portanto aos 12 anos a paixão pela leitura já era muito forte, pelo menos maior do que o terror que sentia por ter que falar com a funcionária da biblioteca. Quando digo terror não estou a exagerar, as minhas mãos tremiam, o coração batia loucamente, sentia uma espécie de náusea durante todo o caminho, ao longo do qual ia treinando mentalmente o que tinha que dizer... para no fim gaguejar baixinho boa tarde e obrigada. Não consigo perceber este medo.
Talvez o maior incentivo para ler tenha vindo das minhas grandes amigas de infância, todas elas grandes leitoras. Talvez nos tenhamos influenciado umas às outras. Lembro-me da rapidez com que elas devoravam os livros, nunca lhes consegui acompanhar o ritmo, ainda hoje me considero uma leitora lenta, o prazer em ler, esse, tem vindo sempre a aumentar.
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
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| Shame, Steve McQueen, 2011 |
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| Midnight in Paris, Woody Allen, 2011 |
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| De-Lovely, Irwin Winkler, 2004 |
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| Manuale d'amore, Giovanni Veronesi, 2005 |
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| Les émotifs anonymes, Jean-Pierre Améris, 2010 |
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| Le syndrome du Titanic, Nicolas Hulot e Jean-Albert Lièvre, 2009 |
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| La nostra vita, Daniele Luchetti, 2010 |
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| Albert Nobs, Rodrigo García, 2011 |
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| The Artist, Michel Hazanavicius, 2011 |
domingo, 16 de dezembro de 2012
sancha*adorava ser o centro de todas as atenções e não descuidava nenhum pormenor para manter esse estatuto em todos os encontros sociais. Quando era apenas uma criança descobriu que quanto maior a birra, mais rapidamente conseguiria o que queria. Os pais pertenciam a uma família de linhagem antiga e como tal sempre acreditaram que qualquer escândalo deve ser evitado a todo o custo. Mais tarde, já no liceu, percebeu que se risse muito alto enquanto lançava a cabeça para trás, captava os olhares dos rapazes. Depois tornou-se mais discreta, atingiu um patamar de excelência no que toca a chamar a atenção. Em qualquer lugar em que entrava todas as conversas paravam e todos a olhavam com admiração e inveja. Já não usava esta característica apenas em benefício próprio, criou uma fundação. Pertencia a vários clubes e jogava golfe duas vezes por semana com a mãe de um deputado. Já não era a Sanchinha, mas a Senhora Dona Sancha e sabia que qualquer descuido poderia deitar abaixo anos de aperfeiçoamento na arte de parecer, por isso todas as manhãs respondia a cartas e fazia telefonemas importantes, almoçava com o marido nos melhores restaurantes, tomava sempre o chá das cinco rodeada de outras senhoras respeitáveis e jantava com os netos porque é uma avó dedicada. Não há muito tempo, depois de vestir a camisa de dormir olhou-se ao espelho para tirar o colar de pérolas brancas e decidiu... reformar-se. No dia seguinte não tratou do correio, nem fez nenhum telefonema importante, preparou o almoço em casa para o marido, não tomou chá com nenhuma senhora respeitável, dispensou a ama e levou os pequenos à praia, onde brincaram toda a tarde e acabaram por comer uma bela sardinhada preparada pelos pescadores.
Durante semanas nos clubes e demais lugares anteriormente por ela frequentados espalhou-se o boato de que estava a recuperar de uma depressão nervosa ou seria de uma cirurgia plástica?
Como sei a verdade e não gosto de injustiças estas fotografias servem de prova que Sancha nunca esteve tão bem nem tão feliz.
Quem lançou o boato acabou por tomar o seu distinto lugar, na fundação, nos clubes, no salão de chá...há muitas Donas Sanchas, mas avó Sancha, só conheço uma e vi-a ontem, de tarde, no parque da cidade, a oferecer balões coloridos às crianças que por ali passavam.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
jacinto* só sai de casa de noite, apesar de ver muito, muito mal.
A mãe pertencia a uma respeitável colónia de quirópteros e da sua parte herdou um extraordinário biosonar, quase infalível, que lhe permite passear mesmo na noite mais escura. O quase explica-se com um pequeno incidente que envolveu um candeeiro e que resultou num galo, não dos que cantam, mas dos que doem. Decidiu passar a sair só depois da hora do jantar, pois descobriu que nem todas as ondas que sentia no ar o ajudavam a navegar na escuridão, algumas serviam apenas para aquecer as refeições dos vizinhos.
Do pai herdou o gosto pela música. As pautas que prefere são as de Chopin, mas depois de as comer fica com uma nostalgia muito forte e dá-lhe para se sentar à janela a ouvir a chuva a cair. O romantismo ataca-lhe o estômago e não há fármaco que o possa ajudar. Mas não se aborrece muito com isso. Quando comeu a colecção completa de pautas de exercícios para contrabaixo, que encontrou no arquivo municipal, foi muito, muito pior. Passou uma semana inteira com um ataque de arrotos muito grave.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
reencontros*sempre que participo em exposições ou em feiras conheço pessoas novas ou reencontro alguém que não via há muito tempo. Este fim-de-semana na Feira de Artesanato de Lagos reencontrei uma colega de escola.
Enquanto estávamos a escolher os cursos a seguir, lembro-me de muita gente a criticar pela sua escolha. Parecia que alguém como ela teria que estudar medicina, não porque fosse o seu desejo, mas por causa das suas excelentes notas. Pois se já gostava dela, mais a admirei por não ter sucumbido a nenhuma pressão e por ter seguido o seu caminho.
Actualmente faz parte do projecto Zionzuri, na Tanzânia e ofereceu-me esta carteira, com este belíssimo tecido africano.
Enquanto estávamos a escolher os cursos a seguir, lembro-me de muita gente a criticar pela sua escolha. Parecia que alguém como ela teria que estudar medicina, não porque fosse o seu desejo, mas por causa das suas excelentes notas. Pois se já gostava dela, mais a admirei por não ter sucumbido a nenhuma pressão e por ter seguido o seu caminho.
Actualmente faz parte do projecto Zionzuri, na Tanzânia e ofereceu-me esta carteira, com este belíssimo tecido africano.
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