sexta-feira, 22 de março de 2013








all I own*é um trabalho da fotógrafa Sannah Kvist. Retratos de alguns estudantes suecos junto de tudo quanto têm. Fez-me pensar como seria o meu retrato assim. O que tenho, tudo junto, ocupa quase o volume de um quarto. Grande parte são materiais e ferramentas de trabalho, mas mesmo assim podia ter menos. As coisas são só coisas, mesmo que lhes queiramos enfiar sentimentalismo à força.

quinta-feira, 21 de março de 2013





invisível*o interior das cidades é invisível ao olho turístico, quando vejo listas com títulos como as melhores cidades do mundo para viver, ou melhores cidades do mundo para visitar, torço o nariz. Estas fotografias foram tiradas em Hong Kong, para acompanhar uma campanha desta organização que pretende mostrar o que não se vê na "melhor cidade do mundo". A vista privilegiada do tecto, permite perceber como milhares de pessoas vivem.

quarta-feira, 20 de março de 2013




morreu de velho*disse isto com um sorriso quase sem dentes e com o desejo de também ela terminar assim. Há, a seu ver, males muito piores do que o de sucumbir a tempo prolongado de vida. O trabalho do campo amoleceu-lhe a pele da cara em pregas coloridas pelo sol, já a pele das mãos é dura e estaladiça, os dedos são troncos de força e não são necessárias pegas para lidar com panelas de água a ferver. A voz atrapalha-se quando a memória falha, mas as cantigas, que no passado diminuíam a dureza do trabalho, saem contínuas e diminuem a grandeza dos dias. E quando canta os olhos estão, no meio das cearas, lado a lado com as moças do seu tempo. Dormem já todas cada uma na sua cama caiada de branco. Morrerá de velha, mas não está sozinha, tem ainda duas cabras malhadas, três galinhas gordas e um gato preto que lhe apareceu há umas semanas, é bom para afastar os ratos.
"Anda cá Carvão!" e ele roça-se nas pernas arqueadas pela gravidade dos anos.

terça-feira, 19 de março de 2013




era uma vez uma cadeira*Ray e Charles Eames, uma pintora que não pintava e um desistente de arquitectura, criaram uma empresa de criativos, ainda hoje, são geradores de inspiração em arquitectura, design e cinema.

sábado, 16 de março de 2013



roma città aperta*

sexta-feira, 15 de março de 2013




sombra*os dias estão a ficar maiores e o que apetece é andar por aí sobre duas rodas e tentar não matar muitos insectos.

quinta-feira, 14 de março de 2013




correio*um bom começo de dia, receber uma encomenda pelas mãos do simpático carteiro da minha zona. E assim que acabar de ler o que estou a explorar (num outro dia falarei disso) vou pegar no livro da Rosa Pomar. Estou cheia de vontade de transformar este algodão estampado e este belíssímo burel  fino.

quarta-feira, 13 de março de 2013




ciconia ciconia*cegonha branca

terça-feira, 12 de março de 2013

Amour, Michael Haneke, 2012
cineclube*se estivesse em Faro, logo à noite era isto que iria ver!

sábado, 9 de março de 2013

Teresa Maria, Maria Teresa, Maria Inácia, Isabel, Maria Duarte, Maria Elvira, Frisalina, Alice, Helena, Natividade, Concórida, Paula, Sofia, Glória, Elisa, Carla, Rita, Eva, Isabel, Mercês, Conceição, Teresa,Angélica, Antónia, Cândida, Maria João, Inês, Filipa, Susana, Eugénia, Cesaltina, Leonor, Maria, Francisca, Julieta, Flora, Rosa, Eugénia, Ana, Dora, Alzira, Mónica, Vanessa, Nazaré, Marta, Aida, Íris, Vera, Cristiana, Filipa, Ana, Rosa, Carmen, Lídia, Vera, Sandra, Patrícia, Marisa, Naomi, Estela, Telma, Ema, Eliana, Carolina, Marisa, Cristina, Rute, Cecília, Augusta, Josefina, Dora, Humuhan, Melanie, Mara, Silvia, Lina, Maria, Inês, Celeste, Carla, Catarina, Mariana, Isabel, Dora, Maria de Jesus, Suzana, Lara, Susete, Graciete, Andrea, Mia,Tânia, Lara, Júlia, Lurdes, Helena, Inês, Madalena, Violeta, Floriana, Lurdes, Maria José, Carolina, Maria Dourado,Teresa, Cristina, Paula, Graça, Jocelina, Bia, Stelia, Marilyn, Rita, Carmen, Manuela, Teresa, Carla, Júlia, Luísa, Patrícia, Silvia, Carolina, Maria Gil, Octávia, Glória, Beatriz, Tatiana, Adriana, Mara, Diana, Susana, Alexandra, Ana, Sofia, Nicole, Anamar, Peggy, Idalina, Carina, Palmira, Luísa, Ana, Sara, Elisabete, Vânia, Débora, Tânia, Inês, Ava, Antonieta, Andrea, Ana Sofia, Cristina, Luísa, Antónia, Carla, Ana, Maria José, Vanda, Vera, Ermelita, Sãozita, Susana, Júlia, Vera, Cristina, Catarina, Margarida, Silvia, Ana, Carmen, Joana, Nídia, Maria, Aldina, Susana, Eugénia, Karen, Guida, Sandra,Antónia, Tereza, Carmo, Maria Jesus, Neuza, Rita, Cristina

sexta-feira, 8 de março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013


lapisar*

terça-feira, 5 de março de 2013

foto de Modo
lápis de cera 3*após quase 30 anos o reencontro com este tipo de lápis deu-se aqui, e foi bom sujar as mãos!

domingo, 3 de março de 2013

lápis de cera 2*os primeiros que tive e únicos, até esta semana, foram os que comprei para a primeira classe. Não os tive durante muito tempo, porque um colega roubou-mos. Confrontei-o, disse-lhe que mos devolvesse, porque eram meus (até estavam identificados, a professora tinha mandado escrever o nosso nome em todos os nossos materiais). Mas ele era muito maior do que eu e agressivo e fiquei sem eles. Queixei-me à professora, foi a única vez que fui queixinhas na escola, mas não se resolveu. Em casa a queixa também não levou a nada, a não ser à conclusão de que a culpa era provavelmente minha.
Este foi um dos primeiros contactos com uma coisa estranha, invisível, que dói e faz mal, e só mais tarde vim a saber que tem um nome, injustiça.

Os lápis de cera podem não ser tóxicos, mas a injustiça é! Por isso e por mais algumas razões, ontem estive na rua, a falar, a caminhar, a ouvir e a cantar.

sexta-feira, 1 de março de 2013

lápis de cera 1*ontem fui ao centro da cidade para tratar de alguns afazeres, entre os quais comprar estes lápis. No breve tempo que andei pela rua encontrei muita gente com quem falei um pouco. De todas essas pessoas só uma não se queixou da vida, do trabalho, da família, não se queixou de nada, pelo contrário estava alegre e sorridente...
Algumas das pessoas com quem falei tinham razões para estar tristes, mas a maioria está mais queixosa por vício do que por problemas concretos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

bom yeoreum gaeul gyeoul geurigo bom*
Primavera, Verão, Outono, Inverno e Primavera é um filme coreano do realizador, argumentista e actor Ki-duk-kim. Há uns anos tive a oportunidade de ver com uns amigos, no cineclube de Olhão, o seu Bin-jip (Ferro 3) e adorei! Este encontrei-o na biblioteca e é também muito bom!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

paraguaçú* ontem de tarde saí com a máquina para tirar umas fotografias à antiga estação de comboios. Enquanto estava por ali encontrei um casal de navegadores muito simpático, que conheci há alguns anos. Estavam a despedir-se de José Tavares, o remador que vai agora fazer a travessia do Atlântico a solo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

equipa da ACTA, no cenário da peça George Dandin
que noite tão estúpida, deixar-se escurecer a este ponto*
há uns anos fui ver a hilariante peça "George Dandin", de Molíére, apresentada pela ACTA. E esta frase ficou gravada num recanto celular da memória. Ontem o dia foi todo ao lado. Ao lado do que era para ter sido e ao "lado" de pessoas de quem gosto muito.  E antes de adormecer lá estavam a saltitar as palavras "que noite tão estúpida, deixar-se escurecer a este ponto".

sábado, 23 de fevereiro de 2013

dêem-me duas velhinhas eu dou-vos o universo*
assim que o encontrar à venda, terei todo o gosto em comprar para ouvir mais disto! Tiago Pereira explica aqui o que faz, resumidamente: filma velhinhas e eu gostava de as fotografar e desenhar.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013




the real toy story*é um extraordinário trabalho do fotógrafo Michael Wolf. Para ver mais aqui.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013




diários*em 1987 a minha tia ofereceu-me um diário, depois da minha irmã me explicar o que isso era, comecei a escrever. As páginas foram-se acumulando com a descrição de acontecimentos típicos de uma criança e depois de uma adolescente e mais tarde passou a ser uma forma de organizar ideias, sonhar, desabafar frustrações, rabiscar uns desenhos. Nunca escrevi com intenção de os reler ou de os dar a ler, por isso há já algum tempo que tinha decidido que estava na hora de os enviar para a reciclagem. Peguei então na tesoura e cortei os doze cadernos, às tiras, no fim olhei para o saco e a palavra avante estava ali a sorrir-me.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Sheena Iyengar
decidir*Quando se trabalha com crianças que não se conhece e não se conhecem, a organização de uma actividade tem que ter em conta todos os pormenores, especialmente quando o tempo é limitado. Nas oficinas que tenho feito nos últimos anos observei um fenómeno muito interessante. As minhas colegas e eu, durante a preparação das actividades achávamos sempre que era importante que os participantes tivessem tempo e liberdade para pensar e decidir o que queriam fazer em determinados exercícios. Das primeiras vezes que dissemos para eles decidirem alguma coisa, achei estranho que isso fosse um problema e o caos acabava por se gerar na sala. Mesmo que tivessem apenas que decidir entre duas cores. Depois passou-se a limitar essa liberdade mais para o final das actividades.
Na semana passada organizei uma oficina de desenho com três exercícios diferentes. No primeiro tinham que desenhar o que estava escrito na folha. E assim o fizeram, sem perguntar nada, não tiveram qualquer dúvida. Cumpriram o exercício, mas fizeram as suas próprias escolhas, desenharam livremente e acrescentaram aquilo que a imaginação lhes ditou. No segundo, dei uma ordem muito específica, mas pouco habitual. Aí, alguns participantes perguntaram o que é que eu queria dizer com aquilo, mas propositadamente não lhes respondi, e disse que não podiam fazer mais perguntas. Esta atitude ditadora não afectou a sua imaginação e os resultados foram espectaculares. No terceiro exercício pedi-lhes que criassem uma personagem, à sua vontade e sublinhei que podiam fazer o que quisessem, só tinham que lhe dar um nome e dizer do que essa personagem gostava e não gostava. Aqui trabalharam em folhas maiores e com mais tempo. As dúvidas começaram a surgir todas ao mesmo tempo: "podemos pôr a folha ao alto?" "pode-se pintar?" "pode ser um animal?", fui sempre dizendo que tinham liberdade total, que podiam decidir à vontade o que queriam fazer. Os resultados foram bons, mas pareciam presos por uma força invisível que não os deixava muito à vontade.
Cumprir ordens foi relativamente fácil, mesmo que tenham tomado decisões enquanto as cumpriram, mas quando decidir dependia apenas deles, tudo se tornou mais difícil, especialmente porque não tinham que escolher entre opções propostas.
Há uns dias vi esta apresentação de Sheena Iyengar e ajudou-me a perceber melhor como funciona isto de decidir. E tive algumas ideias para pôr em prática numa próxima oficina.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013




cortiça*estive a brincar com rolhas que fui pedindo a amigos no fim de jantares. Já nem estranham e até dizem "lá vais levar mais lixo para casa". Ainda me sobraram estas, mas ainda não sei bem o que fazer delas...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013