sexta-feira, 2 de junho de 2023

semana número 22*

No sábado de manhã fui à biblioteca entregar uns livros e requisitar outros, quando vinha a caminho de casa encontrei o meu velho amigo M., sempre que estou com ele relembro-me de que há pessoas com as quais me sinto normal e sem ter aquela vontade enorme de fugir e esconder-me numa gruta.

Vi:

A Simple Favor (Um Pequeno Favor) - gostei de algumas coisas, tem uns segundos de uma música de Zaz de que gosto muito, aliás tem mais algumas músicas francesas giras. Será que há mesmo pessoas que se sentem super atraídas por badboys (no caso bad girls)? 

Dois episódios da nova temporada da série Vera, adoro as paisagens rurais.

Mais uns episódios sobre ceramistas portugueses, gostei muito.

No ano passado desmontei os sofás velhotes da sala, guardei tudo o que estava em boas condições - madeiras, esponjas, tecidos. Já usei quase tudo, chegou a vez da esponja. Com uma parte vou fazer os colchões da cama da ervilha, já os cortei toscamente e os restos cortei em pedaços para fazer enchimento. Com esse enchimento comecei a fazer uma uma almofada/cama para a F.

Quando estava a escolher tecidos para fazer os colchões "saltaram-me" uns restos de tule para as mãos e fui obrigada a fazer o que me veio à cabeça. Tenho duas saias tutu iniciadas, uma terminada e outras já desenhadas (um grande desvio à minha lista de afazeres, se calhar tenho que me rebelar mais vezes às listas).

Quase todas as quintas feiras a minha irmã e eu somos vítimas de um boicote desavergonhado, temos um plano de combate, a ver se resulta...



sexta-feira, 26 de maio de 2023

semana número 21*

Li:

Karen, de Ana Teresa Pereira - a sensação ao ler Karen foi a mesma de quando vejo filmes de Hitchcok, gostei. Quando as personagens e cenários são anglófonos, mas escritos por uma autor português, parece-me estar a ler uma tradução, não sei, algo parece fora do sítio.

Entre os Lençóis (Between the Sheets), de Ian McEwan - um pequeno livro de contos. Este autor sabe bem como a estranheza produz curiosidade e como isso capta o leitor. 

Vi:

All the Money in the World (Todo o Dinheiro do Mundo) - nunca entenderei o "quanto mais tenho mais quero" de que tantas pessoas padecem.

Eggshell - uma curta metragem sobre violência. Simples e bem feito.

The Pale Blue Eye (Os Olhos de Allan Poe) - gostei de quase tudo. O ambiente está muito bem feito. Só no fim é que me lembrei de onde conhecia o actor que interpretou Poe.

Baby J de John Mulaney - ri, mas sempre com um fundo de tristeza, nem por um momento me esqueci  da realidade do que estava a falar - "a dependência é uma besta que dá cabo do desejo". O final é particularmente engraçado e triste, como o cérebro fica em papa com o uso de drogas.

Há dias em que Laura Marling e Lisa Hannigan têm que andar por aqui. "Lá estás tu a ouvir essas músicas deprimentes". Só acho bonito, não acho triste, gosto especialmente quando são só viola (ou outros instrumentos no caso de Hannigan) e voz.

No Domingo fui passear com a minha mana ao longo da antiga margem da barragem da Bravura. Estava mesmo a precisar daquele silêncio, foi um excelente início de manhã, no entanto foi desolador ver o nível de água tão baixo, ainda o verão não chegou, e é sempre tão longo... Passadas umas horas trovoada e chuva forte, melhor só se a chuva tivesse continuado por uns dias. Hectares e hectares de eucaliptos e pinheiros onde raramente se vê uma azinheira ou um sobreiro, uma tristeza e um crime.



sábado, 20 de maio de 2023

semana número 20*

Terminei de ler O Livro da Selva (The Jungle Book) de Rudyard Kipling. Fiquei surpreendida, por vários motivos:
- Não sabia que era um livro de contos
- Os três primeiros são sobre Mowgli, os outros não
- O meu preferido foi A Foca Branca
- Não gostei muito do livro
- Apesar de pequeno, demorei muito a terminar e pensei mesmo em abandonar a sua leitura.

Vi:

Down on a Dark Hall (Corredor Assombrado) - Fraco, a ideia não era má, mas não me ocorre nada para elogiar.

Jaws 3D (Tubarão 3D) - mas sem óculos 3D - muito mau
Jaws The Revenge (Tubarão IV A Vingança) - péssimo

Já sem ser da saga Tubarão, mas com tubarões - Shark Bait (Perigo em Alto Mar) - o que dizer? Muito mau. A personagem principal é uma pessoa normal que acha que roubar duas motas jet ski é uma péssima ideia, ainda mais num país estrangeiro, e quando todos, menos ela, passaram a noite a beber, mas mesmo assim deixou convencer-se pelos seus excelentes amigos... Agora que sou uma especialista em filmes com tubarões, nos últimos tempos vi seis, posso dizer que é tradição as personagens serem estúpidas e os tubarões não estão com fome de comer, mas de assassinar. Talvez detestem a estupidez e a queiram exterminar à dentada.

Está a passar uma série documental na RTP2 excelente - Terra Histórias da Cerâmica. Vi dois episódios e adorei. Cada episódio fala de dois ceramistas e do seu trabalho, e fiquei tão feliz de rever Catarina Nunes, que tive o prazer de conhecer há uns anos, quando viveu em Lagos. Gosto muito do seu trabalho e ela é uma simpatia com quem dá gosto conversar.

Lixei as cadeiras que encontrei há umas semanas ao pé de contentores do lixo, no dia seguinte alguns dos meus músculos queixaram-se e relembraram-me que já não tenho vinte anos.

No sábado fui à biblioteca buscar mais uns livritos e ouvir mais umas opiniões e gostei muito.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

semana número 19*

Li: Léxico Familiar de Natalia Ginzburgo, é o primeiro livro que leio desta escritora, portanto não tenho como saber se a sua escrita costuma ser assim tão desapaixonada, ou se o é aqui porque fala da sua família e de acontecimentos reais e não pretendeu ou não conseguiu fazê-lo de outra forma. Repete muito os mesmo tipo de conversas e confrontos e manias e características dos seus familiares mas quando chega a acontecimentos que mudaram drasticamente o rumo da sua vida, refere os mesmos em breves frases secas.
Na capa do livro estava um quadro que achei muito bonito, de Felice Casorati (amigo da autora), não conhecia este pintor e fui pesquisar, gostei muito. O pai de Natalia detestava os seus quadros, mas o pai de Natalia não gostava praticamente de nada nem de ninguém.

Vi:
Jaws (Tubarão) - pa ram, PA RAM, PA RAM

Pela primeiríssima vez, incrível como há clássicos (com quase 50 anos acho que posso classificar como clássico) que nos escapam , pelo menos à geração a que pertenço, com acesso muito limitado, até certa altura, a determinados filmes. Ou porque só tínhamos dois canais, ou porque passavam pouco na televisão, ou demasiado tarde. Gosto especialmente da estupidez das personagens, é imensa e abundante. A disputa "a minha cicatriz é maior que a tua", é uma anedota repetida em tantos filmes e séries, será que foi aqui que teve a sua origem? Tive vontade de fazer uma maratona Steven Spielberg por ordem cronológica. 

Jaws 2 - já sem Spielberg como realizador. É interessante, que apesar do primeiro não ser grande filme, consegue ter algo mais interessante, este é muito mais entediante, mas a estupidez continua em força. Os anos que passaram entre os dois filmes, trouxeram uma melhoria de tecnologia, mas isso pouco importa porque a história é mal contada. Os diferentes tipos de reacção a uma situação horrível, são sempre interessantes de ver. Uma rapariga em pânico é descrita como histérica, um miúdo paralisado pelo medo como parvo. Uma heroína que ajuda e salva o miúdo, rapidamente esquecida.

The Count of Monte-Cristo (A Vingança de Monte Cristo) de 1975 - Não é bom, o de 2002 é bastante melhor, ainda não li o livro e fiquei com vontade de o ler. Também ainda não vi a versão de 1998 e fiquei curiosa.

Wild Things (Ligações Selvagens) - péssimo. Ando a ver muitos filmes maus, quando ando a procurar o que há disponível parece que tudo o que gosto muito já vi e repeti, na tentativa de ver algo novo calham-me camafeus.

Há uns dias estava a passar uma vista de olhos pelos canais, em busca de qualquer coisa e num canal desportivo estava a decorrer uma partida Netball, nunca tinha ouvido falar. É tão estranho, tem um cesto semelhante ao de basquetebol, mas sem tabela. Cada equipa tem sete jogadores e o ritmo é lento. Comentei com a minha irmã que parecia um jogo criado para miúdas de um colégio de freiras interno. Pois as jogadoras vestem uns vestidos/calção muito femininos e quase não há contacto físico, nem grandes correrias que isso não é coisa para meninas de bem.
 
Raja, de Felice Casorati

sábado, 6 de maio de 2023

semana número 18*

Listas, sucessões de listas, de afazeres, e agora semana após semana também aqui pareço estar a escrever  uma lista do que fiz no tempo livre que tenho muito aprisionada.

Fiz uma lista para o mês de Maio umas coisas simples e outras mais complexas para fazer. Fiquei muito satisfeita com a lista, mas logo o meu cérebro tratou de me passar a perna e tropecei numa meada de pensamentos que... é muito cansativo isto de querer e tentar e tentar e tentar... Não me importo de viver  ilha o problema é ser península.

A semana correu sem grandes solavancos, já consegui riscar algumas coisas da lista. A cama da ervilha está em modo parado.

Vi:

Loved (Os excessos do Amor), Run  (Corre!) e Don't Breath 2 (Nem Respires 2)

Há uma linha comum nestes três filmes, as personagens têm uma ideia muito distorcida de amor. As definições de amor são sempre positivas e o mais simples que se pode dizer é que aqueles que amamos são aqueles a quem queremos bem. Simples, sem Pantones cinza. A equação Agressor + Agredido = Amor é repetida nos três filmes. No primeiro numa atmosfera poética que revolta o estômago, e em todos esta coisa de justificar o abuso com o trauma sofrido.

Gone (12 horas para viver) - comecei a ver com a sensação de que já o tinha visto e já tinha. Não é grande coisa.

The Bye Bye Man (O Nome do Medo) - O filme é péssimo, acho que em grande parte porque os actores não são bons. Mas a ideia base é bastante boa, dizer o nome do mal como invocação do mesmo e a necessidade de cometer atrocidades para não perpetuar o sofrimento e proteger os outros.

Visita Guiada - desta vez sobre O Sanatório de Sant'Ana, muito, muito interessante.

A final do Campeonato Mundial de Snooker, foi muito emocionante e impressionante. A capacidade de reagir de superar, ou quase. No fim, o alívio do vencedor e a aceitação comovida do segundo classificado. Gostei muito.

domingo, 30 de abril de 2023

semana número 17*
(com algum atraso)

Li: Mar seco, gelado, quente são 21 de repente de Jorge Listopad, com ilustrações de Henrique Cayatte, contos minis, com algumas ideias giras. 

Vi: 

O Desaparecimento de Sidney Hall - gostei, mas com as tentativas de surpreender o público, tem algumas falhas desnecessárias. 

Guillermo Del Toro's Pinocchio Handcarved Cinema - interessante, tenho pena de que não tenham mostrado mais. As diferentes escalas com que trabalharam, foi o que mais me surpreendeu.

Snooker - Vi as três sessões dos quartos-de-final entre O'Sullivan e Brecel e partes da semifinal entre Selby e Allen. Agora já só falta a final... 

Visita Guiada - sempre gostei deste programa, numa semana estamos a ver as casas de uma divisão da Mina de São Domingos onde viviam dez pessoas, e noutra o palacete de férias, em Sintra, de um banqueiro e da sua mulher.

No Domingo fui à biblioteca, atrasei-me, tentei dar indicações a um casal perdido, mas sem sucesso, o que eles precisavam era de um telefone para falar com quem os ia receber e não tenho, quer dizer, agora tenho, mas está desligado e guardado. Foi sempre um objecto com que não tive uma boa relação. Um aparelho para falar à distância em qualquer lugar, ou em quase, é sem dúvida uma invenção excelente e útil, mas a nível pessoal é uma máquinazinha de tortura. Não é fácil explicar, mas falar é um verbo mesmo muito difícil para mim.

Almoço de família na segunda feira, barulho, muito, que há quatro pessoas com problemas auditivos, duas delas falam aos gritos, para se conseguirem ouvir a si próprias e os outros gritam para ser entendidos. Desde 2019 que não estávamos todos juntos.

Na quinta-feira trouxe para casa as cadeiras mais giras que já encontrei ao pé do lixo, eram seis, mas trouxe só duas, as outras ficaram para outra pessoa. Já lhes tirei os assentos, que era a única coisa que tinham estragada. (Acho que tenho um fraquinho por cadeiras). 



sexta-feira, 21 de abril de 2023

semana número 16*

Li: 
Cartografias de Lugares Mal Situados (10 Contos da Guerra) de Ana Margarida de Carvalho, gostei muito, gosto muito de contos.

Vi:

L!fe Happens (A Vida Acontece) - tem momentos em que parece que vai num bom caminho, mas é só aparência. Muitas caricaturas e pouco carácter. Este tipo de filmes escritos por homens fazem mulheres frágeis que precisam de um homem que cuide delas, escritos por mulheres, fazem mulheres que não acreditam em relacionamentos, mas que têm que acabar com homens que as ensinam a gostar...

Don't Breath (Nem Respires), de 2016 - gostei. Tenho tendência a gostar de filmes em que as personagens tentam escapar de uma "prisão".

Parte do Campeonato do Mundo se Snooker, tal como patinagem artística ou ginástica artística, ténis de mesa ou algumas provas de atletismo, são desportos que gosto de ver. Este é daqueles em que o género não importa,  e não só, pode ser-se baixo, alto, gordo, magro, mais velho, mais novo, uma vez que em jogo estão as capacidades de concentração, de estratégia, de controlo, espero que nos próximos anos, quando as atletas tiverem mais experiência comecem a participar em finais deste género.

Houve um incidente com manifestantes ecologistas, a acção foi simples, perturbar e chamar a atenção.  Foi apenas uma ocasião em que é mais fácil fazer este tipo de coisa, onde a segurança não é tão apertada, e onde há alguma visibilidade. Compreendo porque os activistas continuam a fazer este tipo de manifestações, mas questiono-me se há algum efeito positivo. 





sexta-feira, 14 de abril de 2023

semana número 15*

Esta semana enveredei pela fantasia.

Li: 
O Grande Livro das Princesas, com textos de Joan e Albert Vinyoli e ilustrações de Sara Ruano. Algumas ilustrações têm pormenores muito interessantes, mas muito mal escrito. Cada estória parece o resultado de um jogo de telefone estragado. Não percebo porque não foram contadas como deve ser. Sim, são na maioria, muito conhecidas, mas não é por isso que devem ser contadas de qualquer maneira.

Vi:

Os quatro filmes The Hunger Games (Os Jogos da Fome) - Até que enfim uma heroína humana e sem super poderes e que tem medo, muito medo, afinal não é isso que torna tudo mais heróico? Katniss Everdeen tem traumas, e a cada filme mais traumatizada fica. Percebe-se como vai sendo usada de formas diferentes e por quase toda a gente, também ela o percebe o que gera o grande conflito: aquilo que estou a fazer é bom, ou só estou a piorar as coisas? 

Para além de Jennifer Lawrence que representa muito bem Everdeen, saliento Stanley Tucci, que é excelente em tudo o que faz. 

Paradise Hills (Raparigas Rebeldes de Paradise Hills) - quando aquilo que se acha mais interessante num filme são as mangas de um vestido e um corpete que parece uma camisa de forças, é sinal que o filme não é grande coisa.

Pinocchio, de Guillermo del Toro e Mark Gustafson - tão bonito e com pormenores tão bem feitos. Acho a técnica stop motion tão fascinante. Precisamente por estar tudo tão incrivelmente bem feito não consigo perceber porque razão decidiram fazer um Geppetto tão velho no início do filme. 

Cunk On Earth (O Nosso Mundo, Segundo Philomena Cunk) - Adorei, já não me ria assim há imenso tempo. Gosto sobretudo de que, no meio das suas observações e questões absurdas, surjam ocasionalmente  opiniões tão acertadas. Espero que sejam feitas mais temporadas, acho que ainda há muito para explorar.

Esta semana não avancei nada com a cama da Princesa da Ervilha, mas aqui ficam as fotografias de quando fiz a escada.





sexta-feira, 7 de abril de 2023

semana número 14*

Li: 
Americanah de Chimamanda Ngozi Adichie, mais uma vez difícil de pousar (para uma próxima vez já sei que livros desta senhora é melhor começar numa sexta-feira, porque não os consigo largar até terminar), gostei mais de A Cor do Hibisco, mas este também é bom. O livro não é sobre isto, mas fiquei a pensar que a forma como a personagem principal, uma mulher bonita, inteligente e atraente se relaciona com homens é estranha, assume que eles têm o papel de a adorar e magoa-os muito. Talvez esteja a ser muito dura com Ifemelu, mas em todos os seus relacionamentos sérios foi assim que a interpretei. 
Ifemelu sentiu-se negra pela primeira vez nos Estados Unidos, numa entrevista, Trevor Noah disse precisamente a mesma coisa, e ele viveu os seus primeiros anos no Apartheid e a adolescência numa África do Sul a tentar reformar-se. A minha amiga E. vive na Califórnia há alguns anos e das primeiras impressões que me transmitiu foi de que há uma obsessão dos americanos pela raça, de etiquetar as pessoas.

Vi: (esta semana não me senti muito bem, por isso tentei animar-me com uma overdose de filmes)

The Father (O Pai) - com Anthony Hopkins e Olivia Colman - gostei muito.

I See You (À Espreita do Mal) - gostei, mais um classificado como de terror, mas é um drama/mistério.

Agatha and the Truth of Murder (Agatha e a Verdade do Crime) - entretem, uma criação do que Agatha Cristhie teria feito de facto quando desapareceu em 1926.

A Nice Girl Like You (Uma Boa Menina Como Tu) - é bastante mauzito, uma jovem mulher com problemas de intimidade, ao terminar o namoro, o namorado diz que ela é demasiado inibida dizendo que é pornografiafóbica. É bastante absurdo que intimidade e sexo continue a ser confundido como sendo o mesmo. Este tipo de filme é mesmo uma desilusão a retratar mulheres, homens e relacionamentos. Valeu pelo belo sorriso de Leonidas Gulaptis.

The Guernsey Literary and Potato Pie Society (A Sociedade Literária da Tarde de Casca de Batata) - Finalmente a prova de que um filme com a estrutura passada a papel químico de qualquer filme de Hallmark, pode ser giro, apesar de ser igual a dezenas e dezenas de filmes péssimos. Basta colocar um cenário de pós-guerra muito bem feito, bons actores que não parecem manequins com cirurgias plásticas e voilà já não é péssimo, não é excelente, mas depois de se ver não parece que perdemos células cerebrais essenciais para continuar a viver.
A estrutura: mulher bem sucedida com um noivo podre de rico, sente-se perdida, vai para uma zona rural isolada onde se encontra. Torna-se instantaneamente amiga intima de uma série de pessoas que adoram o homem mais maravilhoso do mundo e em poucos dias ela e ele apaixonam-se, não lhe diz que está noiva e o noivo aparece para vermos a desilusão nos olhos do homem mais maravilhoso do Universo. Ela regressa para a cidade grande onde vive, percebe que não pode casar com o noivo. Ela e o homem mais maravilhoso de todas as galáxias reencontram-se, casam-se e vivem felizes para sempre.  Tudo muito casto e simples. (A única coisa que acontece em todos os outros e não aqui - odiarem-se quando se conhecem).

The Shallows (Águas Perigosas) - éc, mauzito, mas gostei das soluções McGyverianas.

The Curse of La Llorona (A Maldição da Mulher que chora) - péssima maquilhagem da personagem fantasmagórica, quase adormeci, e vi durante o dia. Mas tem algumas cenas boas. Engraçado que dias depois vi no Público uma referência a um filme La Llorona, também de 2019, será que se baseia na mesma lenda?

The Prodigy (O Prodígio) - gostei de algumas coisas. Fim aberto para uma continuação?

Um episódio da série de Visita Guiada da RTP2, sobre a casa de Veva de Lima - gostei muito. 

Fiz:

Dois folares que não saíram nada bem... 

Estou a fazer uma cama da Princesa da Ervilha, foi começada em 2021, e estou determinada em acabar nas próximas semanas. A ideia é usar apenas materiais que já foram outra coisa, e tenho tanta coisa no meu ninho de esquilo, que acho que consigo. E vou tentar não usar pregos ou parafusos. Este torneado está quase pronto:





sexta-feira, 31 de março de 2023

semana número 13*

Li: 
Na Praia de Chesil de Ian McEawn, este autor é sempre surpreendente. Um livro com tão poucas páginas e tão cheio.

Vi: 
Marrowbone - gostei muito. O filme estava classificado como de terror, mas classificaria como drama. Descobri há poucos anos que gosto de ver filmes de terror, desconfio que é por serem os que mais me desligam da realidade.

Parte do Campeonato do Mundo de Patinagem Artística. Acho tão emocionante ver este tipo de competições. Não sei nada sobre o desporto ou os atletas, só gosto de ver. Passo por uma série de emoções fortes ao longo das provas, é-me indiferente quem ganha medalhas, torço por todos. Adoro ver a felicidade deles quando as coisas correm bem, fico triste quando ficam tristes. Acho admirável o trabalho destas pessoas que é tão intenso e que têm que resumir em poucos minutos de prova. 

Uma notícia vinda dos Estados Unidos da América: um pai apresentou queixa, por na escola a professora ter mostrado uma imagem da estátua de David, de Miguel Ângelo, a directora da escola foi forçada a escolher entre demitir-se ou ser demitida. Escolheu demitir-se. Aparentemente o pai considerou esta obra de arte, uma coisa escandalosa e pornográfica, PORNOGRÁFICA!? E pior ainda outros terão concordado com ele, pois a professora perdeu o seu emprego por estar a fazer o seu trabalho que é, escândalo dos escândalos - ensinar. Em 2015 tive a oportunidade de visitar o V&A em Londres, onde está uma réplica de David que foi oferecida à rainha Victoria. A senhora ficou muito chocada e mandou que se fizesse uma folha de figueira para tapar o pénis. Isto aconteceu em meados do século XIX, e imagino que, na altura, já tenha sido considerado ridículo por muitas pessoas. Achei maravilhoso ver a púdica folha de figueira exposta junto da estátua despida.
Se este homem considera a fotografia de uma estátua que representa o corpo nu de uma figura bíblica  -  pornografia, temo pela saúde mental dos seus filhos. Suponho que como é proibido dar aulas de educação sexual, os manuais destes miúdos nem sequer terão imagens/esquemas dos aparelhos reprodutores. O mínimo das bases de biologia para perceber uma série de coisas importantes sobre a vida. Uma das minhas memórias mais felizes de sempre, foi estar a estudar com a minha sobrinha E. a reprodução e, para além de outras coisas, ver como o manual dela era muito, mas muito melhor do que aquele em que eu tinha aprendido a mesma coisa quase trinta anos antes. 

Ainda do mesmo país mais um tiroteio numa escola... Em 2022 foram baleadas 332 pessoas em escolas nos Estados Unidos. No mesmo ano foram compradas 16,5 milhões de armas pelos americanos. (números da organização The Trace). É um país muito, muito, muito estranho onde tiroteios em massa são normalizados porque é mais importante que cada pessoa seja livre de ter acesso a armas, mesmo que sejam do tipo usado em conflitos armados. Pergunto-me, anualmente, quantas crianças são mortas a tiro nos Estados Unidos e quantas num país em guerra?




Esta semana abri a caixa onde pacientemente me esperava, mais uma coisa por acabar. Para a semana falo mais sobre isto, irá demorar algum tempo a fazer. Mas posso dizer que um dos passos foi lavar o cabelo de uma Barbie com quantidades industriais de amaciador, resultou, já não parece um ninho de ratos.

sexta-feira, 24 de março de 2023

semana número 12*

Terminei de ler - Os meus Sentimentos, de Dulce Maria Cardoso, gostei muito mais deste do que do Retorno. Acho as suas personagens muito ricas e tal como no Retorno, cheias de preconceitos. Aqui temos uma mulher que revê partes da sua vida, e vamos percebendo como a falta de amor a moldou. 
Vivemos num mundo que finge ou não reconhece o quão preconceituoso é, e esta escritora não tem medo de mostrar pessoas que pensam e dizem coisas preconceituosas.

Há uns dias ouvi uma mulher orgulhosamente dizer que usava determinadas expressões, um silêncio (da minha parte posso dizer que não estava nada à espera que fosse aquilo que fosse dizer) e Dulce Maria Cardoso reagiu, não se calou como nós, disse "as palavras têm um peso que não se pode negar... o primeiro passo para deixar de haver racismo é reconhecermos que há racismo". Não a humilhou, o que disse foi o suficiente para que percebesse, para que recuasse.

Lamentavelmente sofro de uma coisa a que chamo cobardia social, mas que as pessoas mais amáveis chamarão introversão, timidez, fuga de confronto... que me impede de dizer muita coisa. Muitas vezes martirizo-me por isso, outras penso: "dar murros numa coluna de betão não a muda de sítio". Envergonho-me desta minha passividade. 
Isto fez-me lembrar de uma amiga minha, que já não via há muito tempo e que há uns meses tive o prazer de rever, fomos passear e lá pelo meio do passeio houve um incidente que envolveu cães e ela não teve qualquer problema em confrontar, em dizer que estava errado. Da outra parte não houve qualquer comentário, da minha parte admiração. Penso muitas vezes na cena do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, em que de uma sarjeta se vê um homem a servir de ponto, o jeito que dava, mas entre o meu cérebro e as minhas cordas vocais há uma parede.

No público esta semana vinha um artigo sobre o facto de se estarem a "esconder" livros de Enid Blyton, por conterem linguagem racista e preconceituosa. Já há uns anos que novas edições dos seus livros foram alteradas pelo mesmo motivo. Na semana anterior mais ou menos a mesma coisa sobre os livros 007 James Bond. Este branqueamento da literatura serve para quê e a quem? Não seria mais produtivo que as obras que contêm este tipo de linguagem imprópria, sejam livros, sejam filmes, ou outras, continuem a existir tal como foram feitas? Quem lê e vê não terá sentido crítico? Quem vê um filme, dos anos 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90 onde um homem agarra uma mulher à força para a beijar e que ela luta durante um segundo, mas depois gosta, acha que é assim que um homem deve ser ou é assim que as mulheres gostam de ser tratadas? Quem vê Gone With the Wind, achará que ser escravo até era porreiro, pela forma como são retratados no filme? Ou que a causa do sul era honrosa?

Vi All In The Family (Uma família às Direitas) quando era miúda, isso não me fez pensar como Archie Bunker pensa ou usar o mesmo tipo de linguagem, pelo contrário, ver aquela personagem tão preconceituosa, acho que me ajudou a perceber melhor diferentes tipos de preconceito. Nós não nos ríamos com ele, mas dos absurdos que dizia e do desespero a que conduzia a filha e o genro. 

Terminei de ler Portugal e a Guerra - História das intervenções militares portuguesa nos grandes conflitos mundiais séculos XIX e XX, coordenado por Nuno Severiano Teixeira. É um conjunto de palestras de diferentes autores em que se fala desde as Invasões Francesas até à Guerra na Bósnia. Acho que vale a pena ler este tipo de coisa, para perceber melhor o que se passou e passa. 

Vi:
Homem Aranha Longe de Casa - gosto do Homem Aranha e do seu humor totó.

The Good Liar ( A Mentira Perfeita) - gostei, percebi o que estava a acontecer, mas felizmente as razões não foram as que esperava, o que tornou tudo mais interessante. Helen Mirren e Ian McKellen são excelentes. 

He's Just Not That Into You (Ele Não Está Assim Tão Interessado) - é uma tentativa de redenção dos filmes do género, mas aborrece-me a generalização dos géneros. Como se as pessoas pensassem e agissem de determinada forma só por causa do seu género. Aquilo que se pensa e aquilo que se faz está muito mais relacionado com o nosso tipo de personalidade. Um homem e uma mulher extrovertidos não serão muito mais semelhantes, do que um homem tímido e um extrovertido? Nos relacionamentos uma mulher tímida e um homem tímido não terão o mesmo tipo de dificuldades? E aquela personagem que precisa que um tipo lhe explique quando os homens estão ou não interessados, e que depois ela tem que lhe explicar que ele está interessado nela, porque ele não percebe. Neste tipo de filmes as mulheres estão sempre desesperadas por casar, porquê? Penso nas minhas amigas e nas mulheres que conheço e só me lembro de uma que posso comparar com essas personagens. Mas cá está um filme cheio de preconceitos, mas que pode servir para pensar, nunca me passaria pela cabeça tentar proibir as minhas sobrinhas de o ver, este e todos o deste género, pelo contrário adoraria ver com elas e saber o que pensam.

Finalmente remendei, substituí todos os tecidos que se estragaram na minha manta de retalhos. Eram tecidos que não foram feitos para este tipo de coisa. Após duas lavagens desfizeram-se. Agora estou a pensar que será melhor fazer mais qualquer coisa para a reforçar, mas ainda não decidi como vou fazer, se à máquina se à mão, se em linhas, se em quadrados, se livre, ou se apenas uns pontos em cada canto dos quadrados (estou mais inclinada para esta última hipótese).




sexta-feira, 17 de março de 2023

semana número 11*

Remendei uma manta que caiu nas garras da felina que gosta de renovar as coisas por aqui. Daria uma  boa decoradora, talvez influenciada pelos muitos vídeos que vejo sobre decoração. O estilo dela é... bem... como definir? É influenciado pelo punk britânico, não é portanto um estilo para todos.

As bibliotecas são lugares muito especiais, ali estão à nossa disposição estantes cheias de horas bem passadas. No sábado estive quase para não ir à biblioteca, mas ainda bem que fui, é muito interessante ouvir as opiniões das outras pessoas, muitas vezes incrivelmente opostas ao que pensamos. 

Vi o documentário Meanwhile On Earth, gostei muito. Os bastidores muito higiénicos da indústria mortuária sueca. É um filme composto de quadros, ora estamos numa capela, onde se dispõem arranjos de flores em torno de um caixão, ora junto dos condutores do carro fúnebre, logo depois nos fornos crematórios ou numa casa mortuária onde se arrumam corpos embrulhados em lençóis brancos, até a fase do maquilhador. As cenas mais tristes são as que decorrem num lar, durante um jogo de bingo. A nossa morte está mesmo muito longe de ser a coisa mais deprimente que se vive.

Vi Loving Adults, poderia chamar-se Um Aviso Paterno, neste filme vê-se o extremo da violência que pode ser um divórcio. Não é muito surpreendente, mas tinha a ambição de o ser.

Vivo num mundo pequeno e fechado, uma escolha conduzida por não sei bem o quê, no entanto tenho uma pequena ponte com o mundo lá fora, chama-se Instagram e esta semana graças a esta ponte recebi duas novidades muito felizes. A primeira que a saúde de uma pequenita melhorou muito e a outra de pessoas talentosas que viveram algo com o qual se calhar nunca tinham sonhado. Apesar de serem notícias muito diferentes, fiquei tão feliz que não consegui dormir muito bem durante umas noites. Nunca me tinha acontecido ter insónias alegres. Não sei se há alguma coisa mais feliz do que ver a felicidade de pessoas de quem gostamos.

Enquanto terminei os sacos vi/ouvi Blown Away,  concurso onde se fazem peças de vidro, adorei ver o que conseguem fazer, mas não tenho muita paciência para a conversa, acho muito mais interessante ver o que vão fazendo.

Com os restos da costura, enchi uma pequena almofada de alfinetes.





sexta-feira, 10 de março de 2023

semana número 10*

Esqueci-me de dizer na semana passada que vi o documentário Becoming, simpatizo com Michelle Obama, acho-a inteligente e forte. Gostei que na divulgação do livro tenha feito aqueles encontros com grupos pequenos. Incomoda-me o endeusamento, percebo a admiração e que a vejam como um grande exemplo, talvez seja uma questão cultural, há um culto da celebridade muito estranho nos Estados Unidos.
Não é possível que as pessoas que se tornam famosas a este nível, não comecem a sofrer de algum tipo de problema de saúde mental. Mesmo a mais equilibrada das pessoas deve ficar um bocado avariada. Comovi-me quando, quase no fim, uma senhora lhe disse que nunca pensou viver num tempo em que teria um presidente e uma primeira dama como eles.

No fim-de-semana vi:

The road, tinha lido o livro há uns anos e finalmente consegui ver o filme, é tão angustiante como o livro, achei as interpretações extraordinárias. Tal como nos filmes A Silente Place, a mesma ideia de que para sobreviver não é necessário deixar de se ser humano. Nestes universos apocalípticos o que é sempre mais aterrorizador, não é a fome, ou os monstros, mas um possível encontro com outras pessoas.

The Hunt, de Graig Zobel, (aconselho o homónimo de Vinterberg que é excelente), nesta caçada estava à espera de um thriller saiu-me uma comédia, a mais violenta que já vi. É como os comentários na internet, o que faz sentido, porque é por aí que  a coisa começa. A interpretação de Betty Gilpin, fez-me lembrar Jodie Comer em Killing Eve, mas não tão boa. Foi surpreendente, gosto quando não sei o que vai acontecer.

Durante a semana: 

Terminei de ver/ouvir a segunda temporada de The Next in Fashion, enquanto costurava, acho sempre fantástico o que conseguem fazer em tão poucas horas, fiquei contente com os finalistas, eram aqueles por quem estava a torcer. Fico sempre com pena por não darem prémios a todos. Devem receber uma espécie de ordenado por participarem no programa, mas mesmo assim acho que, pelo menos os finalistas, deveriam receber mais qualquer coisa.

Vi Selective Outrage de Chris Rock, é forte, nalgumas transições achei-o nervoso e inseguro, aquilo parece-me difícil de fazer como um raio. No fim achei que não estava satisfeito, que a coisa não lhe correu como queria. O que mais me fez rir foi quando o alvo foi o absurdo, o ridículo, tal como na sua série Everybody Hates Chris (que há uns anos era o momento zen da minha mana e o meu, aliás durante uns anos na RTP2 passaram muitas séries cómicas a uma hora que ambas conseguíamos parar para ver). Rock parece um pastor fervoroso, usando técnicas semelhantes, como a repetição e o andar de um lado para o outro, os gestos e entoações exagerados, mas as aleluias e os améns são substituídos por obscenidades. Não gosto muito do estilo dele, mas algumas piadas são excelentes. Esperava algo mais elegante em relação ao tema Smith. Não querendo estragar nenhuma piada, gostei muito quando disse que vivemos num mundo onde as emergências dos hospitais estão cheias de pessoas com cortes de papel.
Dos comediantes que tenho visto neste registo, os meus preferidos são Dave Chappelle e Ricky Gervais. Chappelle ao contrário de Rock está em palco muito sossegado, fala como se estivesse a reflectir sobre as coisas. É um comediante que espicaça o nosso cérebro, é excelente. Gervais parece um miúdo malandreco a divertir-se, agora vou dizer isto hihihi e a gente ri-se com ele.

Li Assim Como Tu de Raquel Salgueiro e Jorge Margarido e Avô Minguante de Daniela Leitão e Catarina Silva. Na minha opinião, os livros vencedores do concurso de Literatura Infantil do Pingo Doce têm melhorado consideravelmente, e gosto mais deste formato dos últimos anos. 

Estou a fazer catorze sacos de pano cru simples, tinha cortado o tecido, para os fazer para uma exposição individual, há uns anos, mas não consegui na altura. Enfim, faço agora, já não com a ideia inicial, mas ficam prontos para uma próxima.




sexta-feira, 3 de março de 2023

semana número 9*

No sábado de manhã estive na antiga casa Fogaça, isto acontece-me muitas vezes, aquele lugar foi tão importante para mim e agora é só um lugar, parece uma história que me contaram e não algo que vivi. A palavra saudade parece que não se aplica a objectos, lugares, acontecimentos, sinto saudade de pessoas e de animais, mas de resto é estranho como não mantenho qualquer ligação, parece que vai tudo para um ficheiro que nunca mais é aberto. Foi como estar a visitar um cenário vagamente familiar. E ali num canto esquecido estava a apodrecer uma coisa, que quando disse o que era, resultou num Ah era? Em breve será mais um nada. 

Tenho reparado que nas últimas semanas tenho passado os fins-de-semana, como se fossem dias de descanso, não foi propositado, aconteceu, talvez o corpo tenha decidido por mim. A minha vida é tão estranha, que até a mim causa estranheza.

Há músicas que ficam dentro da cabeça, outras no ouvido, as que fazem mexer o corpo e há aquelas que entram na pele, Salt and the Sea, dos Lumineers faz tudo isso e ainda me faz pensar que talvez a humanidade não seja assim uma coisa tão má, já que foram pessoas que criaram esta beleza.

Vi A Quiet Place Part II, gostei, é angustiante e bem feito.

Habemus saco, aliás sacos... terminei o saco, achei-o demasiado coiso (palavra que se usa quando não se sabe o que dizer) para o dia-a-dia, fiz outro, mais adequado para ir à padaria ou ao supermercado. Quando terminei este menos coiso, achei-o demasiado bla (palavra sem tradução do meu cérebro para a realidade).
Para o exterior do demasiado coiso usei restos de tecido, para o forro parte de um cortinado que a menina de garras afiadas remodelou. Para o bla usei pano cru e um antigo cinto que tinha guardado para uma necessidade deste tipo.
Agora com um demasiado coiso e um bla, parece que me faz falta um caracóis dourados.
Esta insatisfação, fez-me pensar em vestidos, adoro vestidos, há vestidos tão bonitos, quantos vestidos tenho? Um de inverno, outro assim mais para o outono e outro de verão. Nunca os uso. Adoro vestidos e vestir vestidos, e nunca uso vestidos. Porquê? Também gosto de saias, quantas tenho? Nenhuma. Tenho dois pares de calças que parecem saias, conta? Que esquisitice é esta?



sábado, 25 de fevereiro de 2023

semana número 8*

Semana de limpezas profundas na cozinha. A cozinha não é bonita, e tem uma disposição pouco inteligente. Os armários têm duas portas bastante desengonçadas, o chão está em mau estado, o que é natural que aconteça a um piso cerâmico de pouca qualidade e já com quarenta anos.
Apesar de gostar de janelas grandes, tem uma demasiado grande, ainda mais que está virada a poente, tornando a cozinha fria no inverno e uma estufa no verão.
Com uns pequenos arranjos, acho que a consigo tornar um pouco menos triste. E sejamos francos, as cozinhas querem-se limpas e organizadas, não precisam de ser modelos de capa de revista (a tentar auto-convencer-me). Espero daqui a umas semanas mostrar alguma evolução nesta frente de batalha. 

Vi:
On The Basis Of Sex, que mostra parte do trabalho e da vida de Ruth Bader Ginsburg, o filme não é grande coisa, mas a história é.

Wonderstruck, tem coisas giras, imagens bonitas, mas esperava melhor.

What to expect when you're expecting, este já esperava que não fosse grande coisa, mas tinha esperança que me fizesse rir, em vez disso dei por mim a chorar com a quase morte de uma personagem e a perda de outras... revoltou-me a cena da adopção internacional, muito romantizada, e a personagem interpretada por Rodrigo Santoro irritou-me, uma pessoa que não sabe se quer ter filhos, é melhor não ter (ainda), especialmente por adopção. Era suposto ser uma comédia levezita, mas transformei aquilo num filme a debater seriamente.

The Strays, tem coisas muito bem feitas, por exemplo a imagem do bloco de apartamentos e pouco depois o travelling pelo bairro de vivendas. Gostei muito do fim. 

Ao fim de muitos meses terminei de ver a série Seinfeld... não sei se é da idade, se da minha cada vez menor tolerância ao egoísmo, à medida que as temporadas iam passando, mais insuportáveis os achava. Por isso o grande final foi surpreendente, talvez até os próprios argumentistas já não os suportassem.
Não me ri muito, mas há pérolas: o senhor Costanza a gritar o mantra Serenety Now, aliás o casal Costanza foi quem mais me fez rir, pessoas incapazes de ter uma conversa racional. O filho não podia ser diferente do que é. Acho a ideia do Nazi das Sopas excelente. A construção do episódio The Betrayal é muito interessante. Também gostei do Newman como arqui-inimigo do Jerry. Wayne Knight tem uma capacidade de se enrubescer impressionante e gostei das suas expressões, corridinhas e gargalhadas maléficas, parece mesmo um desenho animado.

O saco parece uma obra de santa Engrácia... não percebo a dificuldade que estou a ter em tomar decisões em relação a isto, é só um saco, mas parece que estou a lidar com a coisa mais fundamental do universo.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

semana número 7*

No Domingo fiz um bolo de cenoura, o mais bonito, até agora, que o forno sempre foi um estranho temperamental que tento conquistar com carinho, mas que finge ignorar ou simplesmente não quer saber das minhas tentativas. Era para levar no dia seguinte, para comemorar, para partilhar, para oferecer... Uma receita que me foi dada pela minha amiga D. há uns anos, estava tão bonito.
Mas as alegrias e esperanças foram sufocadas com uma pele cinzenta de morte... a rádio lança-me o verso O que não começa, não acaba, e sei o que tenho que fazer, fingir que esta semana não é diferente das outras, que nunca vai ser diferente, que as mudanças são para quem pode e não para quem quer. (Ai que dramática que sou... por vezes gostava de ter uma veia violenta, que me levasse a atirar a aparelhagem à parede, a ver se continuava a lançar-me versos deste género). Do bolo restam agora as migalhas, não só estava bonito como estava bom.

Li O retorno, de Dulce Maria Cardoso, os pensamentos de um rapaz que sabe que tem que vir para Portugal, mas que sonha com uma América, que acaba de ter que fugir numa situação pior do que a imaginada. Um miúdo preconceituoso, com as pessoas, com as terras, com os géneros, racista, misógino,  homofóbico, egoísta. Um miúdo que perde tudo o que conhecia, e para não andar a sofrer agarrado a esperanças, diz a si próprio que o pai morreu, que nunca mais o vai ver. Traça planos para ir para os Estados Unidos e chama casa a um quarto de hotel, com vista para o mar. Trai a pessoa mais decente que encontrou (ou talvez a pior, fazendo exactamente o que ele queria?). Despreza a irmã por se estar a tentar integrar e teme o que a mãe pode fazer e o que os outros poderão dizer dela, deles.

Remendei meias que estavam a ser negligenciadas já há demasiado tempo, sempre gostei de remendar meias, e gosto de meias remendadas que me vão acompanhar mais uns quilómetros. Ouvi dois episódios de Midsomer Murders enquanto fazia remendos, mas é demasiado mauzito, decidi tentar Father Brown, é melhorzito, entretem o ouvido. Se as séries de mistério britânicas reflectissem a realidade, as taxas de homicídio nos meios rurais seriam assustadoramente altas. A cada chá das cinco mais um vizinho que foi atropelado, esfaqueado, envenenado, empurrado... só nervos de aço é que não fariam as chávenas tremer nos pires. Aparentemente não há nada pior para a saúde do que ter um testamento, e dizer ao advogado que se quer fazer uma alteração ao mesmo...

Ainda há pouco abracei o meu amor pequenino e quando estava a mostrar as cicatrizes tive que desviar o olhar.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

semana número 6*

Terminei de ler Nação Crioula de José Eduardo Agualusa, gostei, até agora gostei de todos os romances epistolares que li. 

Li A Cor do Hibisco (Purple Hibiscus) de Chimamanda Ngozi Adichie, é daqueles difíceis de pousar e dá pena chegar ao fim. Há muito tempo que queria ler um livro desta autora, só ouvia/lia elogios e é mesmo bom. Lembro-me de há uns anos fazer um comentário negativo sobre as missões religiosas e de alguém me dizer, mas também ajudam muito as pessoas. De facto a par das missões há ajuda médica e construção de escolas, mas isso não deveria existir sem estar ligado a uma religião? A evangelização é mais um dos muitos roubos que África, e não só, sofreu e sofre. 
Uma das palavras mais usadas no livro é PECADO, sempre desconfiei das pessoas que dizem esta palavra, são geralmente pessoas muito preconceituosas e julgadoras. A personagem que vê pecado em quase tudo, parece cego aos seus pecados e submete a família a uma tortura constante.

Terminei três almofadas, que fiz a partir de duas saias da minha avó e mais uns restos de tecido. Quando desmanchei as saias achei tão interessante, a minha avó não cortou os tecidos, usou dobras e costuras, e assim fiquei com uns belos rectângulos para usar. Cresceu num tempo em que tudo tinha que ser aproveitado ao máximo, e assim, mesmo no final da vida fez as saias de forma a que facilmente pudessem ser alargadas ou estreitadas. Os tecidos são excelentes, de um tipo que nunca vi à venda. É uma pena que esta abundância de fabricação seja de qualidade tão inferior.



sábado, 4 de fevereiro de 2023

semana número 5*
(de sexta a sábado)

Jordan Peele é daqueles criativos que parece que em tudo o que toca faz qualquer coisa de especial. No fim-de-semana vi o seu Us, e agora para completar a caderneta só me falta Nope. Lupita Nyong'o... abençoada hora em que decidiu ser actriz. Os miúdos são todos fantásticos: Madison Curry, que interpretou Adelaid em criança, Shahadi Wrigth Joseph, que já é adulta, mas interpretou Zora, uma adolescente, na perfeição e, claro, Evan Alex cuja personagem - Jason, um miúdo ilusionista (essa parte até podia ter sido mais explorada) foi quem topou tudo. Bastava o olhar dele para completar o filme, mas infelizmente seguiu-se a explicação do que já era evidente há não sei quantas cenas, para não dizer, desde o meio do filme. A escolha dos actores é claramente muito cuidada, já em Get Out, Betty Gabriel... uau, a cena no, no, no, nonononononono, NO, é daquelas que deveria passar em todos os cursos de interpretação, se fosse professora diria: ora bem moços, a excelência é isto!
O género de filmes que Peele faz parece uma escolha estranha para um dos criadores de Key and Peele, contudo acho que faz todo o sentido, aconselho vivamente Psycho Clown dessa série, acho uma obra prima, bem como Country Music e Auction Block. 

Ao longo da semana, enquanto costurava, fui ouvindo/vendo a última temporada da série The Crown, personagens reais, eventos reais sobre uma família real, tudo o resto é uma criação. O problema das monarquias é isto mesmo são uma criação, uma coisa irregular que quer regular. É uma série muito bem escrita, com muito bons intérpretes.

No sábado percorri uma parte do Percurso dos Pescadores, acompanhada de dois dos meus amores preferidos. Uma manhã maravilhosa. De tarde vimos Amsterdam, um filme esquisito, cheio de estrelas, tem coisas muito interessantes, mas é daqueles,  de que não sei o que dizer. 

Apesar de ter costurado bastante, ainda nada está terminado, incluindo o saco...