rabiscos* da ideia à finalização, muitos, muitos, muitos rabiscos.
quarta-feira, 28 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012

processo criativo, o grande mito* há um mito de que quando se está a criar alguma coisa, tudo flui como uma torneira aberta e que para isso basta estar inspirado. Durante o processo criativo há muitas fases, e isso difere de pessoa para pessoa, mas acredito que de um modo geral todos passem pela questão será que isto vai funcionar? Acredito que o trabalho, o tempo, a experiência, a paixão pelo que se faz e a capacidade de pensar fora da zona de conforto são os pontos fortes da criatividade. Essa coisa de transformar uma ideia em alguma coisa visível é fruto de muito trabalho e de tempo!
Quando se está a criar não se pode ter medo da crítica, não se pode ter medo de falhar, porque senão o síndrome da página em branco dominará e não irá sair nada. É preciso ter coragem de parar e mudar. Ontem alguém me perguntava com uma voz preocupada de quem conhece muito bem as dificuldades da realidade "vais mesmo arriscar?", sem qualquer hesitação respondi que sim. Tenho essa facilidade em responder porque sei muito bem o que quero, não é inconsciência, é certeza! Em relação ao trabalho nunca tive medo de arriscar, mas isso também tem que ver com a forma como vivo. Nada do que tenho pertence a um banco, só tenho o que preciso e ninguém depende de mim para viver.
Sim a conjuntura pode não ser a melhor, mas, como diz a personagem de Clint Eastwood, no filme As pontes de Madison County "This kind of certainty comes but once in a lifetime!"
segunda-feira, 5 de março de 2012
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| bartoon, Luís Afonso |
mu*danças, há muitos, muitos anos que leio os cartoons de Luís Afonso e hoje quando estava a ler o jornal deparo-me com o novo formato do bartoon e da simplicidade com que fala da mudança. Apesar de admirar muito o seu trabalho, apercebi-me que não sei nada sobre este autor. Após uma pequena investigação internética cheguei a esta informação: "vive em Serpa e tem uma livraria".
Elsa Mora é uma artista cubana que vive em Los Angeles, cujo trabalho acompanho desde 2006. Hoje li no seu blog: Action is important. We can't do the things that we want to do by just thinking. Action is a magic thing. As soon as we move into action we feel a sense of purpose that keeps us going. One little action at a time is all it takes to change the world (our world).
Não tenho medo da mudança, pelo menos não da que surge do desejo. Temo e muito a estagnação, a inactividade e a falta de sentido auto-crítico.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
reduzir, reciclar, renovar, reutilizar * este ovo de madeira é utilizado para remendar meias. Já há muitos, muitos anos que remendo as minhas meias, que remendo roupa, que reutilizo roupa velha para fazer coisas novas e que uso a minha roupa até ao limite, ao ponto de alguns familiares e amigos me dizerem que é uma vergonha andar vestida da forma como ando. Não é por necessidade financeira que remendo é por convicção que uso tudo o que tenho até à desintegração. Odeio o desperdício, odeio produzir lixo, odeio o excesso.
O meu avô António Luiz era um pequeno agricultor muito organizado. Tinha 3 fatos completos que incluíam sapatos e chapéus. O fato domingueiro que utilizava ao domingo, em festas e em funerais. O fato de comércio que vestia quando ia vender os excedentes da sua produção ou quando ia comprar gado. E a roupa de trabalho. Simples, quando o fato domingueiro envelhecia, passava a ser o de comércio e quando este se desgastava passava a roupa de trabalho. E isto não tem nada que ver com sovinice, é uma forma de viver, dando importância a outros aspectos da vida. Antes isto era comum a toda a gente.
Quando o meu avô morreu, deixou o seu arado, a sua carroça e outros instrumentos de trabalho e o seu relógio. E isto era o que eu gostaria de deixar para trás, pouco.
O meu avô António Luiz era um pequeno agricultor muito organizado. Tinha 3 fatos completos que incluíam sapatos e chapéus. O fato domingueiro que utilizava ao domingo, em festas e em funerais. O fato de comércio que vestia quando ia vender os excedentes da sua produção ou quando ia comprar gado. E a roupa de trabalho. Simples, quando o fato domingueiro envelhecia, passava a ser o de comércio e quando este se desgastava passava a roupa de trabalho. E isto não tem nada que ver com sovinice, é uma forma de viver, dando importância a outros aspectos da vida. Antes isto era comum a toda a gente.
Quando o meu avô morreu, deixou o seu arado, a sua carroça e outros instrumentos de trabalho e o seu relógio. E isto era o que eu gostaria de deixar para trás, pouco.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
"imaginava teu quarto muito mais colorido"* já muitas pessoas me disseram isto, menos palavra mais palavra e tem graça porque realmente o meu quarto é o que tenho de mais minimalista, isso e as minhas roupas monocromáticas. O quarto a que pomposamente chamo de atelier, é uma explosão de materiais (e agora que estou em arrumações, parece uma assustadora cratera de onde de vez em quando saltam uns estilhaços ). Mas os trabalhos que tenho feito são cheios de cor. Esta almofada é um exemplo disso.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
hoje* Maria Inácia de Jesus ou Maria Inácia Duarte (tinha os dois nomes registados) faria 105 anos de idade e a sua bela máquina de costura faz 87. O meu bisavô no 18º aniversário da minha avó ofereceu-lhe uma máquina de costura. Que prenda fantástica e extraordinária, numa altura conturbada na história do mundo e do nosso país! Acredito que no meio da serra, deveria ser pouco usual uma prenda desta dimensão, mas há uma justificação para isso. A minha avó era a mais velha de quatro filhos, tinha sobrevivido por um triz à gripe espanhola e todos na família acreditavam que aquela menina frágil não viveria muito e muito menos arranjaria quem quisesse casar com ela. E por isso o meu bisavô queria agradar-lhe em tudo e facilitar-lhe o trabalho doméstico. Sim, porque apesar da sua constituição enfraquecida pela doença, era uma mulher e continuava a ter que fazer a roupa para os irmãos, lavar, passar, remendar... A minha avó casou numa idade pouco comum na altura, tinha 30 anos e o meu avô 31. Ninguém queria casar com eles, pois o meu avô ficara coxo com uma injecção recebida no tempo de tropa e a minha avó, depois da gripe espanhola, ficou com fama de doente. O que até tem graça, porque para sobreviver, era preciso ser muito saudável. Então decidiram casar-se os dois... pelo que oiço, foi uma boa união. Tinham em comum a honestidade, bom coração, capacidade de trabalho e teimosia, no resto lá se foram entendendo.
Imagino no dia de casamento ou uns dias depois, a máquina de costura envolvida numa manta, atada com baraços dentro de uma carroça e a descer a serra aos solavancos para a sua nova casa. Com esta máquina a minha avó fez roupa para o marido, para ela, para as filhas e com esta máquina a minha mãe e a minha tia aprenderam a costurar. Conheço a máquina desde sempre, porque vivi sempre com ela. Com esta máquina a minha mãe costurou roupa para ela e para os três filhos durante muitos anos. Infelizmente nunca consegui atinar com o pedal e encravava as linhas todas, mas verdade seja dita que era uma miúda a última vez que tentei, se calhar está na altura de tentar novamente. Uma máquina fantástica e ecológica, funciona a pernas e a mãos.
Tenho saudades de as ouvir, a ela e à primeira dona!
Imagino no dia de casamento ou uns dias depois, a máquina de costura envolvida numa manta, atada com baraços dentro de uma carroça e a descer a serra aos solavancos para a sua nova casa. Com esta máquina a minha avó fez roupa para o marido, para ela, para as filhas e com esta máquina a minha mãe e a minha tia aprenderam a costurar. Conheço a máquina desde sempre, porque vivi sempre com ela. Com esta máquina a minha mãe costurou roupa para ela e para os três filhos durante muitos anos. Infelizmente nunca consegui atinar com o pedal e encravava as linhas todas, mas verdade seja dita que era uma miúda a última vez que tentei, se calhar está na altura de tentar novamente. Uma máquina fantástica e ecológica, funciona a pernas e a mãos.
Tenho saudades de as ouvir, a ela e à primeira dona!
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
| manjericos dobados |
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
| Adosinda e Jeremias, numa das suas discussões |
costurar*adoro todo o processo de escolha de tecidos, combinação de cores, cortar, alfinetar, alinhavar, coser. Este casal está a ser preparado para ir para uma casa nova.
Outra pessoa vai ter que assistir às contínuas discussões, amuos e reconciliações...
Outra pessoa vai ter que assistir às contínuas discussões, amuos e reconciliações...
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
| alguns dos jogos com que brincávamos nos dias de chuva |
cresci nos anos 80* isso pode não parecer nada de especial, mas é! Vivo num prédio representante dessa década. Foi construído em 85, numa zona próxima de um centro histórico, no meio do campo onde antes eram quintas. Existiam apenas três prédios, onde vivo, e os dos lados e mais nada, sem estradas, sem passeios, sem iluminação pública, sem nome de rua, a rua ainda não existia. Amendoeiras, figueiras e alfarrobeiras era tudo o que havia. E hoje penso que foi engraçado ter vindo do campo morar para este lugar específico, acho que isso facilitou a vida dos meus irmãos e a minha.
Mas um prédio só se torna especial quando tem gente lá a viver. Desde 74 que as pessoas continuavam a chegar ao país. Todos os meus vizinhos foram emigrantes: Suiça, França, Austrália, África do Sul e Angola. Quando os conheci tinham entre 50 e 60 anos e viveram muitas décadas fora do país. Alguns sem saber ler e escrever, e sem sequer saber falar a língua falada nos países que os receberam. Passados mais de vinte anos, já muitos morreram... penso que beneficiei muito do contacto que tive com eles. Pessoas muito mais velhas do que eu e com histórias de países e culturas muito diferentes do nosso.
Pertenço à última geração que brincou na rua sem ser dentro de uma vedação de rede. Claro que ainda há muitas crianças que brincam na rua, mas já não é ponto comum entre todos da mesma idade.
E agora esta geração está a sair em grande número para outros países, conheço pessoas a viver e a trabalhar no Canadá, no Brasil, na Austrália, em Inglaterra e em Espanha.
A emigração sempre foi assim empurrada por ciclos de necessidade. Desejo a maior sorte aos e/imigrantes, e aos que não migram também.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
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| trabalho de Richard Lang e Judith Selby Lang |
o belo, o feio, a indiferença e a inacção*Richard Lang e Judith Selby Lang são um casal, são "recolectores", são artistas plásticos e são activistas. E dizem algo muito simples "The opposite of beauty, really, is not ugly. The opposite of beauty is indifference!"
Gosto muito desta afirmação, porque a inacção vem da indiferença e as duas não fazem nada de bom juntas. Agrada-me que algo como uma tampa de iogurte colorida que andou pelo mar, seja unida a outro bocado de plástico qualquer e se transforme ao mesmo tempo num manifesto anti-desperdício e em algo bonito. Parte do trabalho destes artistas pode ser visto aqui.
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