sexta-feira, 31 de março de 2023

semana número 13*

Li: 
Na Praia de Chesil de Ian McEawn, este autor é sempre surpreendente. Um livro com tão poucas páginas e tão cheio.

Vi: 
Marrowbone - gostei muito. O filme estava classificado como de terror, mas classificaria como drama. Descobri há poucos anos que gosto de ver filmes de terror, desconfio que é por serem os que mais me desligam da realidade.

Parte do Campeonato do Mundo de Patinagem Artística. Acho tão emocionante ver este tipo de competições. Não sei nada sobre o desporto ou os atletas, só gosto de ver. Passo por uma série de emoções fortes ao longo das provas, é-me indiferente quem ganha medalhas, torço por todos. Adoro ver a felicidade deles quando as coisas correm bem, fico triste quando ficam tristes. Acho admirável o trabalho destas pessoas que é tão intenso e que têm que resumir em poucos minutos de prova. 

Uma notícia vinda dos Estados Unidos da América: um pai apresentou queixa, por na escola a professora ter mostrado uma imagem da estátua de David, de Miguel Ângelo, a directora da escola foi forçada a escolher entre demitir-se ou ser demitida. Escolheu demitir-se. Aparentemente o pai considerou esta obra de arte, uma coisa escandalosa e pornográfica, PORNOGRÁFICA!? E pior ainda outros terão concordado com ele, pois a professora perdeu o seu emprego por estar a fazer o seu trabalho que é, escândalo dos escândalos - ensinar. Em 2015 tive a oportunidade de visitar o V&A em Londres, onde está uma réplica de David que foi oferecida à rainha Victoria. A senhora ficou muito chocada e mandou que se fizesse uma folha de figueira para tapar o pénis. Isto aconteceu em meados do século XIX, e imagino que, na altura, já tenha sido considerado ridículo por muitas pessoas. Achei maravilhoso ver a púdica folha de figueira exposta junto da estátua despida.
Se este homem considera a fotografia de uma estátua que representa o corpo nu de uma figura bíblica  -  pornografia, temo pela saúde mental dos seus filhos. Suponho que como é proibido dar aulas de educação sexual, os manuais destes miúdos nem sequer terão imagens/esquemas dos aparelhos reprodutores. O mínimo das bases de biologia para perceber uma série de coisas importantes sobre a vida. Uma das minhas memórias mais felizes de sempre, foi estar a estudar com a minha sobrinha E. a reprodução e, para além de outras coisas, ver como o manual dela era muito, mas muito melhor do que aquele em que eu tinha aprendido a mesma coisa quase trinta anos antes. 

Ainda do mesmo país mais um tiroteio numa escola... Em 2022 foram baleadas 332 pessoas em escolas nos Estados Unidos. No mesmo ano foram compradas 16,5 milhões de armas pelos americanos. (números da organização The Trace). É um país muito, muito, muito estranho onde tiroteios em massa são normalizados porque é mais importante que cada pessoa seja livre de ter acesso a armas, mesmo que sejam do tipo usado em conflitos armados. Pergunto-me, anualmente, quantas crianças são mortas a tiro nos Estados Unidos e quantas num país em guerra?




Esta semana abri a caixa onde pacientemente me esperava, mais uma coisa por acabar. Para a semana falo mais sobre isto, irá demorar algum tempo a fazer. Mas posso dizer que um dos passos foi lavar o cabelo de uma Barbie com quantidades industriais de amaciador, resultou, já não parece um ninho de ratos.

sexta-feira, 24 de março de 2023

semana número 12*

Terminei de ler - Os meus Sentimentos, de Dulce Maria Cardoso, gostei muito mais deste do que do Retorno. Acho as suas personagens muito ricas e tal como no Retorno, cheias de preconceitos. Aqui temos uma mulher que revê partes da sua vida, e vamos percebendo como a falta de amor a moldou. 
Vivemos num mundo que finge ou não reconhece o quão preconceituoso é, e esta escritora não tem medo de mostrar pessoas que pensam e dizem coisas preconceituosas.

Há uns dias ouvi uma mulher orgulhosamente dizer que usava determinadas expressões, um silêncio (da minha parte posso dizer que não estava nada à espera que fosse aquilo que fosse dizer) e Dulce Maria Cardoso reagiu, não se calou como nós, disse "as palavras têm um peso que não se pode negar... o primeiro passo para deixar de haver racismo é reconhecermos que há racismo". Não a humilhou, o que disse foi o suficiente para que percebesse, para que recuasse.

Lamentavelmente sofro de uma coisa a que chamo cobardia social, mas que as pessoas mais amáveis chamarão introversão, timidez, fuga de confronto... que me impede de dizer muita coisa. Muitas vezes martirizo-me por isso, outras penso: "dar murros numa coluna de betão não a muda de sítio". Envergonho-me desta minha passividade. 
Isto fez-me lembrar de uma amiga minha, que já não via há muito tempo e que há uns meses tive o prazer de rever, fomos passear e lá pelo meio do passeio houve um incidente que envolveu cães e ela não teve qualquer problema em confrontar, em dizer que estava errado. Da outra parte não houve qualquer comentário, da minha parte admiração. Penso muitas vezes na cena do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, em que de uma sarjeta se vê um homem a servir de ponto, o jeito que dava, mas entre o meu cérebro e as minhas cordas vocais há uma parede.

No público esta semana vinha um artigo sobre o facto de se estarem a "esconder" livros de Enid Blyton, por conterem linguagem racista e preconceituosa. Já há uns anos que novas edições dos seus livros foram alteradas pelo mesmo motivo. Na semana anterior mais ou menos a mesma coisa sobre os livros 007 James Bond. Este branqueamento da literatura serve para quê e a quem? Não seria mais produtivo que as obras que contêm este tipo de linguagem imprópria, sejam livros, sejam filmes, ou outras, continuem a existir tal como foram feitas? Quem lê e vê não terá sentido crítico? Quem vê um filme, dos anos 20, 30, 40, 50, 60, 70, 80, 90 onde um homem agarra uma mulher à força para a beijar e que ela luta durante um segundo, mas depois gosta, acha que é assim que um homem deve ser ou é assim que as mulheres gostam de ser tratadas? Quem vê Gone With the Wind, achará que ser escravo até era porreiro, pela forma como são retratados no filme? Ou que a causa do sul era honrosa?

Vi All In The Family (Uma família às Direitas) quando era miúda, isso não me fez pensar como Archie Bunker pensa ou usar o mesmo tipo de linguagem, pelo contrário, ver aquela personagem tão preconceituosa, acho que me ajudou a perceber melhor diferentes tipos de preconceito. Nós não nos ríamos com ele, mas dos absurdos que dizia e do desespero a que conduzia a filha e o genro. 

Terminei de ler Portugal e a Guerra - História das intervenções militares portuguesa nos grandes conflitos mundiais séculos XIX e XX, coordenado por Nuno Severiano Teixeira. É um conjunto de palestras de diferentes autores em que se fala desde as Invasões Francesas até à Guerra na Bósnia. Acho que vale a pena ler este tipo de coisa, para perceber melhor o que se passou e passa. 

Vi:
Homem Aranha Longe de Casa - gosto do Homem Aranha e do seu humor totó.

The Good Liar ( A Mentira Perfeita) - gostei, percebi o que estava a acontecer, mas felizmente as razões não foram as que esperava, o que tornou tudo mais interessante. Helen Mirren e Ian McKellen são excelentes. 

He's Just Not That Into You (Ele Não Está Assim Tão Interessado) - é uma tentativa de redenção dos filmes do género, mas aborrece-me a generalização dos géneros. Como se as pessoas pensassem e agissem de determinada forma só por causa do seu género. Aquilo que se pensa e aquilo que se faz está muito mais relacionado com o nosso tipo de personalidade. Um homem e uma mulher extrovertidos não serão muito mais semelhantes, do que um homem tímido e um extrovertido? Nos relacionamentos uma mulher tímida e um homem tímido não terão o mesmo tipo de dificuldades? E aquela personagem que precisa que um tipo lhe explique quando os homens estão ou não interessados, e que depois ela tem que lhe explicar que ele está interessado nela, porque ele não percebe. Neste tipo de filmes as mulheres estão sempre desesperadas por casar, porquê? Penso nas minhas amigas e nas mulheres que conheço e só me lembro de uma que posso comparar com essas personagens. Mas cá está um filme cheio de preconceitos, mas que pode servir para pensar, nunca me passaria pela cabeça tentar proibir as minhas sobrinhas de o ver, este e todos o deste género, pelo contrário adoraria ver com elas e saber o que pensam.

Finalmente remendei, substituí todos os tecidos que se estragaram na minha manta de retalhos. Eram tecidos que não foram feitos para este tipo de coisa. Após duas lavagens desfizeram-se. Agora estou a pensar que será melhor fazer mais qualquer coisa para a reforçar, mas ainda não decidi como vou fazer, se à máquina se à mão, se em linhas, se em quadrados, se livre, ou se apenas uns pontos em cada canto dos quadrados (estou mais inclinada para esta última hipótese).




sexta-feira, 17 de março de 2023

semana número 11*

Remendei uma manta que caiu nas garras da felina que gosta de renovar as coisas por aqui. Daria uma  boa decoradora, talvez influenciada pelos muitos vídeos que vejo sobre decoração. O estilo dela é... bem... como definir? É influenciado pelo punk britânico, não é portanto um estilo para todos.

As bibliotecas são lugares muito especiais, ali estão à nossa disposição estantes cheias de horas bem passadas. No sábado estive quase para não ir à biblioteca, mas ainda bem que fui, é muito interessante ouvir as opiniões das outras pessoas, muitas vezes incrivelmente opostas ao que pensamos. 

Vi o documentário Meanwhile On Earth, gostei muito. Os bastidores muito higiénicos da indústria mortuária sueca. É um filme composto de quadros, ora estamos numa capela, onde se dispõem arranjos de flores em torno de um caixão, ora junto dos condutores do carro fúnebre, logo depois nos fornos crematórios ou numa casa mortuária onde se arrumam corpos embrulhados em lençóis brancos, até a fase do maquilhador. As cenas mais tristes são as que decorrem num lar, durante um jogo de bingo. A nossa morte está mesmo muito longe de ser a coisa mais deprimente que se vive.

Vi Loving Adults, poderia chamar-se Um Aviso Paterno, neste filme vê-se o extremo da violência que pode ser um divórcio. Não é muito surpreendente, mas tinha a ambição de o ser.

Vivo num mundo pequeno e fechado, uma escolha conduzida por não sei bem o quê, no entanto tenho uma pequena ponte com o mundo lá fora, chama-se Instagram e esta semana graças a esta ponte recebi duas novidades muito felizes. A primeira que a saúde de uma pequenita melhorou muito e a outra de pessoas talentosas que viveram algo com o qual se calhar nunca tinham sonhado. Apesar de serem notícias muito diferentes, fiquei tão feliz que não consegui dormir muito bem durante umas noites. Nunca me tinha acontecido ter insónias alegres. Não sei se há alguma coisa mais feliz do que ver a felicidade de pessoas de quem gostamos.

Enquanto terminei os sacos vi/ouvi Blown Away,  concurso onde se fazem peças de vidro, adorei ver o que conseguem fazer, mas não tenho muita paciência para a conversa, acho muito mais interessante ver o que vão fazendo.

Com os restos da costura, enchi uma pequena almofada de alfinetes.





sexta-feira, 10 de março de 2023

semana número 10*

Esqueci-me de dizer na semana passada que vi o documentário Becoming, simpatizo com Michelle Obama, acho-a inteligente e forte. Gostei que na divulgação do livro tenha feito aqueles encontros com grupos pequenos. Incomoda-me o endeusamento, percebo a admiração e que a vejam como um grande exemplo, talvez seja uma questão cultural, há um culto da celebridade muito estranho nos Estados Unidos.
Não é possível que as pessoas que se tornam famosas a este nível, não comecem a sofrer de algum tipo de problema de saúde mental. Mesmo a mais equilibrada das pessoas deve ficar um bocado avariada. Comovi-me quando, quase no fim, uma senhora lhe disse que nunca pensou viver num tempo em que teria um presidente e uma primeira dama como eles.

No fim-de-semana vi:

The road, tinha lido o livro há uns anos e finalmente consegui ver o filme, é tão angustiante como o livro, achei as interpretações extraordinárias. Tal como nos filmes A Silente Place, a mesma ideia de que para sobreviver não é necessário deixar de se ser humano. Nestes universos apocalípticos o que é sempre mais aterrorizador, não é a fome, ou os monstros, mas um possível encontro com outras pessoas.

The Hunt, de Graig Zobel, (aconselho o homónimo de Vinterberg que é excelente), nesta caçada estava à espera de um thriller saiu-me uma comédia, a mais violenta que já vi. É como os comentários na internet, o que faz sentido, porque é por aí que  a coisa começa. A interpretação de Betty Gilpin, fez-me lembrar Jodie Comer em Killing Eve, mas não tão boa. Foi surpreendente, gosto quando não sei o que vai acontecer.

Durante a semana: 

Terminei de ver/ouvir a segunda temporada de The Next in Fashion, enquanto costurava, acho sempre fantástico o que conseguem fazer em tão poucas horas, fiquei contente com os finalistas, eram aqueles por quem estava a torcer. Fico sempre com pena por não darem prémios a todos. Devem receber uma espécie de ordenado por participarem no programa, mas mesmo assim acho que, pelo menos os finalistas, deveriam receber mais qualquer coisa.

Vi Selective Outrage de Chris Rock, é forte, nalgumas transições achei-o nervoso e inseguro, aquilo parece-me difícil de fazer como um raio. No fim achei que não estava satisfeito, que a coisa não lhe correu como queria. O que mais me fez rir foi quando o alvo foi o absurdo, o ridículo, tal como na sua série Everybody Hates Chris (que há uns anos era o momento zen da minha mana e o meu, aliás durante uns anos na RTP2 passaram muitas séries cómicas a uma hora que ambas conseguíamos parar para ver). Rock parece um pastor fervoroso, usando técnicas semelhantes, como a repetição e o andar de um lado para o outro, os gestos e entoações exagerados, mas as aleluias e os améns são substituídos por obscenidades. Não gosto muito do estilo dele, mas algumas piadas são excelentes. Esperava algo mais elegante em relação ao tema Smith. Não querendo estragar nenhuma piada, gostei muito quando disse que vivemos num mundo onde as emergências dos hospitais estão cheias de pessoas com cortes de papel.
Dos comediantes que tenho visto neste registo, os meus preferidos são Dave Chappelle e Ricky Gervais. Chappelle ao contrário de Rock está em palco muito sossegado, fala como se estivesse a reflectir sobre as coisas. É um comediante que espicaça o nosso cérebro, é excelente. Gervais parece um miúdo malandreco a divertir-se, agora vou dizer isto hihihi e a gente ri-se com ele.

Li Assim Como Tu de Raquel Salgueiro e Jorge Margarido e Avô Minguante de Daniela Leitão e Catarina Silva. Na minha opinião, os livros vencedores do concurso de Literatura Infantil do Pingo Doce têm melhorado consideravelmente, e gosto mais deste formato dos últimos anos. 

Estou a fazer catorze sacos de pano cru simples, tinha cortado o tecido, para os fazer para uma exposição individual, há uns anos, mas não consegui na altura. Enfim, faço agora, já não com a ideia inicial, mas ficam prontos para uma próxima.




sexta-feira, 3 de março de 2023

semana número 9*

No sábado de manhã estive na antiga casa Fogaça, isto acontece-me muitas vezes, aquele lugar foi tão importante para mim e agora é só um lugar, parece uma história que me contaram e não algo que vivi. A palavra saudade parece que não se aplica a objectos, lugares, acontecimentos, sinto saudade de pessoas e de animais, mas de resto é estranho como não mantenho qualquer ligação, parece que vai tudo para um ficheiro que nunca mais é aberto. Foi como estar a visitar um cenário vagamente familiar. E ali num canto esquecido estava a apodrecer uma coisa, que quando disse o que era, resultou num Ah era? Em breve será mais um nada. 

Tenho reparado que nas últimas semanas tenho passado os fins-de-semana, como se fossem dias de descanso, não foi propositado, aconteceu, talvez o corpo tenha decidido por mim. A minha vida é tão estranha, que até a mim causa estranheza.

Há músicas que ficam dentro da cabeça, outras no ouvido, as que fazem mexer o corpo e há aquelas que entram na pele, Salt and the Sea, dos Lumineers faz tudo isso e ainda me faz pensar que talvez a humanidade não seja assim uma coisa tão má, já que foram pessoas que criaram esta beleza.

Vi A Quiet Place Part II, gostei, é angustiante e bem feito.

Habemus saco, aliás sacos... terminei o saco, achei-o demasiado coiso (palavra que se usa quando não se sabe o que dizer) para o dia-a-dia, fiz outro, mais adequado para ir à padaria ou ao supermercado. Quando terminei este menos coiso, achei-o demasiado bla (palavra sem tradução do meu cérebro para a realidade).
Para o exterior do demasiado coiso usei restos de tecido, para o forro parte de um cortinado que a menina de garras afiadas remodelou. Para o bla usei pano cru e um antigo cinto que tinha guardado para uma necessidade deste tipo.
Agora com um demasiado coiso e um bla, parece que me faz falta um caracóis dourados.
Esta insatisfação, fez-me pensar em vestidos, adoro vestidos, há vestidos tão bonitos, quantos vestidos tenho? Um de inverno, outro assim mais para o outono e outro de verão. Nunca os uso. Adoro vestidos e vestir vestidos, e nunca uso vestidos. Porquê? Também gosto de saias, quantas tenho? Nenhuma. Tenho dois pares de calças que parecem saias, conta? Que esquisitice é esta?



sábado, 25 de fevereiro de 2023

semana número 8*

Semana de limpezas profundas na cozinha. A cozinha não é bonita, e tem uma disposição pouco inteligente. Os armários têm duas portas bastante desengonçadas, o chão está em mau estado, o que é natural que aconteça a um piso cerâmico de pouca qualidade e já com quarenta anos.
Apesar de gostar de janelas grandes, tem uma demasiado grande, ainda mais que está virada a poente, tornando a cozinha fria no inverno e uma estufa no verão.
Com uns pequenos arranjos, acho que a consigo tornar um pouco menos triste. E sejamos francos, as cozinhas querem-se limpas e organizadas, não precisam de ser modelos de capa de revista (a tentar auto-convencer-me). Espero daqui a umas semanas mostrar alguma evolução nesta frente de batalha. 

Vi:
On The Basis Of Sex, que mostra parte do trabalho e da vida de Ruth Bader Ginsburg, o filme não é grande coisa, mas a história é.

Wonderstruck, tem coisas giras, imagens bonitas, mas esperava melhor.

What to expect when you're expecting, este já esperava que não fosse grande coisa, mas tinha esperança que me fizesse rir, em vez disso dei por mim a chorar com a quase morte de uma personagem e a perda de outras... revoltou-me a cena da adopção internacional, muito romantizada, e a personagem interpretada por Rodrigo Santoro irritou-me, uma pessoa que não sabe se quer ter filhos, é melhor não ter (ainda), especialmente por adopção. Era suposto ser uma comédia levezita, mas transformei aquilo num filme a debater seriamente.

The Strays, tem coisas muito bem feitas, por exemplo a imagem do bloco de apartamentos e pouco depois o travelling pelo bairro de vivendas. Gostei muito do fim. 

Ao fim de muitos meses terminei de ver a série Seinfeld... não sei se é da idade, se da minha cada vez menor tolerância ao egoísmo, à medida que as temporadas iam passando, mais insuportáveis os achava. Por isso o grande final foi surpreendente, talvez até os próprios argumentistas já não os suportassem.
Não me ri muito, mas há pérolas: o senhor Costanza a gritar o mantra Serenety Now, aliás o casal Costanza foi quem mais me fez rir, pessoas incapazes de ter uma conversa racional. O filho não podia ser diferente do que é. Acho a ideia do Nazi das Sopas excelente. A construção do episódio The Betrayal é muito interessante. Também gostei do Newman como arqui-inimigo do Jerry. Wayne Knight tem uma capacidade de se enrubescer impressionante e gostei das suas expressões, corridinhas e gargalhadas maléficas, parece mesmo um desenho animado.

O saco parece uma obra de santa Engrácia... não percebo a dificuldade que estou a ter em tomar decisões em relação a isto, é só um saco, mas parece que estou a lidar com a coisa mais fundamental do universo.


sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

semana número 7*

No Domingo fiz um bolo de cenoura, o mais bonito, até agora, que o forno sempre foi um estranho temperamental que tento conquistar com carinho, mas que finge ignorar ou simplesmente não quer saber das minhas tentativas. Era para levar no dia seguinte, para comemorar, para partilhar, para oferecer... Uma receita que me foi dada pela minha amiga D. há uns anos, estava tão bonito.
Mas as alegrias e esperanças foram sufocadas com uma pele cinzenta de morte... a rádio lança-me o verso O que não começa, não acaba, e sei o que tenho que fazer, fingir que esta semana não é diferente das outras, que nunca vai ser diferente, que as mudanças são para quem pode e não para quem quer. (Ai que dramática que sou... por vezes gostava de ter uma veia violenta, que me levasse a atirar a aparelhagem à parede, a ver se continuava a lançar-me versos deste género). Do bolo restam agora as migalhas, não só estava bonito como estava bom.

Li O retorno, de Dulce Maria Cardoso, os pensamentos de um rapaz que sabe que tem que vir para Portugal, mas que sonha com uma América, que acaba de ter que fugir numa situação pior do que a imaginada. Um miúdo preconceituoso, com as pessoas, com as terras, com os géneros, racista, misógino,  homofóbico, egoísta. Um miúdo que perde tudo o que conhecia, e para não andar a sofrer agarrado a esperanças, diz a si próprio que o pai morreu, que nunca mais o vai ver. Traça planos para ir para os Estados Unidos e chama casa a um quarto de hotel, com vista para o mar. Trai a pessoa mais decente que encontrou (ou talvez a pior, fazendo exactamente o que ele queria?). Despreza a irmã por se estar a tentar integrar e teme o que a mãe pode fazer e o que os outros poderão dizer dela, deles.

Remendei meias que estavam a ser negligenciadas já há demasiado tempo, sempre gostei de remendar meias, e gosto de meias remendadas que me vão acompanhar mais uns quilómetros. Ouvi dois episódios de Midsomer Murders enquanto fazia remendos, mas é demasiado mauzito, decidi tentar Father Brown, é melhorzito, entretem o ouvido. Se as séries de mistério britânicas reflectissem a realidade, as taxas de homicídio nos meios rurais seriam assustadoramente altas. A cada chá das cinco mais um vizinho que foi atropelado, esfaqueado, envenenado, empurrado... só nervos de aço é que não fariam as chávenas tremer nos pires. Aparentemente não há nada pior para a saúde do que ter um testamento, e dizer ao advogado que se quer fazer uma alteração ao mesmo...

Ainda há pouco abracei o meu amor pequenino e quando estava a mostrar as cicatrizes tive que desviar o olhar.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

semana número 6*

Terminei de ler Nação Crioula de José Eduardo Agualusa, gostei, até agora gostei de todos os romances epistolares que li. 

Li A Cor do Hibisco (Purple Hibiscus) de Chimamanda Ngozi Adichie, é daqueles difíceis de pousar e dá pena chegar ao fim. Há muito tempo que queria ler um livro desta autora, só ouvia/lia elogios e é mesmo bom. Lembro-me de há uns anos fazer um comentário negativo sobre as missões religiosas e de alguém me dizer, mas também ajudam muito as pessoas. De facto a par das missões há ajuda médica e construção de escolas, mas isso não deveria existir sem estar ligado a uma religião? A evangelização é mais um dos muitos roubos que África, e não só, sofreu e sofre. 
Uma das palavras mais usadas no livro é PECADO, sempre desconfiei das pessoas que dizem esta palavra, são geralmente pessoas muito preconceituosas e julgadoras. A personagem que vê pecado em quase tudo, parece cego aos seus pecados e submete a família a uma tortura constante.

Terminei três almofadas, que fiz a partir de duas saias da minha avó e mais uns restos de tecido. Quando desmanchei as saias achei tão interessante, a minha avó não cortou os tecidos, usou dobras e costuras, e assim fiquei com uns belos rectângulos para usar. Cresceu num tempo em que tudo tinha que ser aproveitado ao máximo, e assim, mesmo no final da vida fez as saias de forma a que facilmente pudessem ser alargadas ou estreitadas. Os tecidos são excelentes, de um tipo que nunca vi à venda. É uma pena que esta abundância de fabricação seja de qualidade tão inferior.



sábado, 4 de fevereiro de 2023

semana número 5*
(de sexta a sábado)

Jordan Peele é daqueles criativos que parece que em tudo o que toca faz qualquer coisa de especial. No fim-de-semana vi o seu Us, e agora para completar a caderneta só me falta Nope. Lupita Nyong'o... abençoada hora em que decidiu ser actriz. Os miúdos são todos fantásticos: Madison Curry, que interpretou Adelaid em criança, Shahadi Wrigth Joseph, que já é adulta, mas interpretou Zora, uma adolescente, na perfeição e, claro, Evan Alex cuja personagem - Jason, um miúdo ilusionista (essa parte até podia ter sido mais explorada) foi quem topou tudo. Bastava o olhar dele para completar o filme, mas infelizmente seguiu-se a explicação do que já era evidente há não sei quantas cenas, para não dizer, desde o meio do filme. A escolha dos actores é claramente muito cuidada, já em Get Out, Betty Gabriel... uau, a cena no, no, no, nonononononono, NO, é daquelas que deveria passar em todos os cursos de interpretação, se fosse professora diria: ora bem moços, a excelência é isto!
O género de filmes que Peele faz parece uma escolha estranha para um dos criadores de Key and Peele, contudo acho que faz todo o sentido, aconselho vivamente Psycho Clown dessa série, acho uma obra prima, bem como Country Music e Auction Block. 

Ao longo da semana, enquanto costurava, fui ouvindo/vendo a última temporada da série The Crown, personagens reais, eventos reais sobre uma família real, tudo o resto é uma criação. O problema das monarquias é isto mesmo são uma criação, uma coisa irregular que quer regular. É uma série muito bem escrita, com muito bons intérpretes.

No sábado percorri uma parte do Percurso dos Pescadores, acompanhada de dois dos meus amores preferidos. Uma manhã maravilhosa. De tarde vimos Amsterdam, um filme esquisito, cheio de estrelas, tem coisas muito interessantes, mas é daqueles,  de que não sei o que dizer. 

Apesar de ter costurado bastante, ainda nada está terminado, incluindo o saco...



sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

semana número 4*

Sábado: estive a organizar papeladas e contabilidade... 

Domingo: vi 7 Donne e un mistero e terminei de ler A Conversa de Bolzano, de Sándor Márai. Tenho pena que o filme tenha sido fraco, tinha os ingredientes certos para ser giro. Também esperava que o livro fosse melhor, pois tinha gostado muito de As velas não ardem até ao fim. A conversa, ou as conversas, são longos monólogos sobre uma coisa que dizem ser o amor, mas que penso estar muito longe de ser amor. No entanto acredito que tanto o filme como o livro dariam boas peças de teatro.

Segunda-feira: comecei a ler Charles Dickens, de Jane Smiley. Experimentei umas coisas com o tecido que estou a fazer e não gostei.

Terça-feira: Continuei a ler. Desfiz o que tinha feito com o tecido, experimentei outras coisas e não gostei.

Quarta-feira: Terminei de ler o livro, gostei muito. Uma biografia sumária que explora a obra de Dickens e a relaciona com acontecimentos da sua vida, no momento em que estava a trabalhar em determinados manuscritos e na altura da sua publicação. Muito interessante, não há qualquer tentativa de mascarar os seus defeitos com a irritante frase era um homem do seu tempo. Nem os seus defeitos diminuem a sua admirável capacidade de trabalho quase sobre-humana. 
Desfiz o que tinha tentado com o tecido...

Quinta-feira: Nova abordagem com o tecido, mais de acordo com a ideia inicial, espero que resulte. Compliquei o que era simples.

Sexta-feira: Ainda não terminei o tecido, mas está quase.



sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

semana número 3*

Por vezes dá-se voltas na vida para a mudar, para a melhorar, e investe-se - trabalho, tempo e dinheiro, mas por muito que se lance dados não se chega à parte do vici. Tentar é um verbo que agora me faz revoltar o estômago, o optimismo de "vou tentar", transforma-se na pouco animadora "ao menos tentei". Talvez seja tempo de me desiludir de vez e perceber que isto é bastante mais do que suficiente, a parte triste é que já tinha percebido isso e estava contente, mas a ambição parva de liberdade voltou a espicaçar-me. Será que nunca se atinge um contentamento pleno? Será que faz parte da condição humana cantar Estou Além em círculos. Em vez de Vou continuar a procurar a minha forma o meu lugar vou começar a cantar estou tão bem sossegada aqui, este é o meu lugar, a métrica foi-se e a música fica estragada, a filosofia fica mais pobre, mas pode ser que a repetição me traga algum sossego.

Estou a transformar restos num tecido para, finalmente, fazer um saco para mim, o meu está quase em farrapos e até eu consigo perceber que chegou a hora de ter um novo. 

O atelier ao longo desta semana... fazem-me rir os meus ciclos: a limpeza e arrumação que logo se transforma em caos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

semana número 2*





O fim-de-semana começou com céus dramáticos. Gosto muito de acordar cedo e gosto muito de chuva, talvez isso fosse diferente se vivesse onde os invernos são frios e menos secos. Independentemente dos comportamentos atmosféricos adoro a música I can't stand the rain de Ann Peebles.

Li Mendigos e Altivos (Mendiants et orgueilleux) de Albert Cossery e não me lembro de nenhum livro que me fizesse ter tantas questões, quero saber porque razão as personagens são tão superficiais e semelhantes entre si, há pouco que as distinga, porque são tão incoerentes, tão desumanas em que o seu estilo de vida parece, em simultâneo, ser glorificado e desprezado pelo autor. Gostava de saber se tudo isto foi intencional. Todas as personagens femininas são nacos de carne. (Se ainda não é óbvio não gostei do livro). Acredito que se as personagens tivessem alguma coisa... não sei o quê, talvez se se parecessem mais com pessoas, talvez aí tivesse gostado.
Há no livro uma informação sobre Cossery onde se lê: o autor adepto da indolência e profeta do prazer e da preguiça, sempre fez questão de não ultrapassar as suas médias: uma linha por semana, um livro de oito em oito anos. 
Mas as contas não batem certo, só se uma linha fosse um parágrafo e mesmo assim... 

Gosto muito de personagens bem construídas e de diálogos, Eça de Queirós e Jane Austen habituaram-me mal, génios a escrever ambos. Em Mendigos e Altivos também os diálogos são... esquisitos, o que faz sentido, personagens deficientes em humanidade dificilmente falariam como pessoas.
Esta semana vi Together Together, um filme que me fez concluir que gosto de filmes com poucas personagens, sendo que entre os meus preferidos estão: Locke, onde Tom Hardy faz uma interpretação brilhante e Blue Jay. Em todos estes filmes os diálogos são excelentes. Together Together agradou-me por não cair na mesmice de sempre e falar de outros tipos de amor. Duas pessoas tristes a fazer o que podem por viver melhor e por serem mais elas próprias e não o que os outros esperam deles.

Esta foi uma semana muito boa, quando faço alguma coisa com madeira fico sempre bem disposta, recuperei uma cadeira, que tinha o assento partido, substituí uma trave num banco e construí uma espécie de bengaleiro. 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

semana número 1*

A arte de ser desonesto

Há dias revi o filme Ocean's 8, as primeiras cenas fazem-me sempre sorrir. Como é fácil ser-se enganado. Entre viver na constante desconfiança e confiar que a maioria das pessoas é honesta, prefiro a segunda hipótese. O mundo seria bem pior se assim não fosse. Felizmente funcionamos de forma menos dual que uma chave dicotómica e por isso conseguimos viver confiando e ir desconfiando aqui e ali. 
É o típico feell good movie, traduzindo: leve, com alguma graça, sem profundidade nenhuma e entretem o suficiente para nos despreocuparmos da vida um bocadinho. Gosto especialmente da personagem interpretada por Rhianna, uma mistura de pessoa cool com uma arrogânciazinha q.b., que usa o seu génio em prol do bem-estar, o seu. Claro que isto em personagens fictícias é engraçado, se conhecesse alguém assim, não estaria entre as 100 primeiras escolhas para bff, como dizem os adolescentes. Diz, na minha opinião, duas, das três melhores frases do filme: "You poor thing" quando um tipo da segurança do museu abre uma notificação enviada por ela, e quando a personagem interpretada por Mindy Kaling está a ter um fanico pela Taylor Swift "You are so White!". A outra frase é interpretada por Sandra Bullock: "Well, I have 45 bucks Tina, can go anywhere I want".

Há um artista, um grande artista na verdade, que é genial, desonesto, arrogante, engraçado e não é uma criação, existe. Chama-se Wolfgang Beltracchi e é um excelente falsificador, não só porque falsificou (vou usar esta forma verbal, porque depois de cumprir pena de prisão prometeu não voltar a fazê-lo) de forma brilhante o trabalho de vários artistas famosos, como o fez de forma muito inteligente. Criou obras "novas" de autores conhecidos, nos seus diversos estilos. Obras que especialistas reconheciam como sendo originais e que estavam "perdidas". Aproveitava-se da ganância ignorante dos especialistas /leiloeiros, e lucrava com o dinheiro dos compradores multi-milionários que depois exibiam em suas casas os seus belos quadros. Há uns anos numa entrevista quando lhe perguntaram se se arrependia do que tinha feito, pensou um pouco e respondeu: "Sim, arrependo-me de ter usado aquele branco". Uma referência à tinta que o levou a ser descoberto. Wolfgang tinha o cuidado de fazer as suas próprias tintas com técnicas usadas na altura que supostamente os quadros teriam sido pintados, excepto uma vez, em que usou tinta branca moderna.

No seu livro STEAL LIKE AN ARTIST, Austin Kleon começa por dizer que a todos os artistas é feita a questão: Onde vais buscar as tuas ideias?, e que o artista honesto responde - Roubo-as!
Em primeiro lugar adoraria que me fizessem essa pergunta, acho mais interessante e mais fácil de responder do que: quanto tempo demoraste a fazer?
Tive um professor que nos dizia "os pintores pintam o que viram noutros quadros e não o que vêem". O que o meu professor e Austin Kleon dizem é verdade, mas não é toda. Aquilo que se faz, desde o tempo das pinturas e gravuras rupestres é alguém tem uma ideia e desenha, e entre os que observam esse desenho, há os que falam sobre o desenho - uns dizendo "sim senhor está jeitoso", os que franzindo o nariz, cospem um "modernices maiparvas", outros ainda que acham que foi um ser superior que os iluminou, não faltando o clássico: "isso até eu fazia".  E há os que fazem realmente repetindo / imitando, sem qualquer problema de consciência e batendo no peito que é uma ideia sua e original. Mas a maioria, lá está, mais honesta, rouba / usa o que gosta, um traço, uma aplicação de cor, uma técnica, um tema e vai desenvolvendo e melhorando o seu trabalho num estilo próprio.

O que me faz lembrar Stromae que compõe temas distintos com ritmos e tons conhecidos, influências óbvias de diferentes culturas desde Cabo-Verde à Bulgária, uma misturada de estilos que funciona porque ele os trabalhou até funcionarem. O trabalho que é desenvolvido num desenho/ escultura/ pintura/ música, etc é uma sopa de pedra, a diferença entre o artista e o frade que vai pedindo os ingredientes é que o primeiro não tem a intenção de enganar ninguém. Os mais diversos tipos de arte são o mais puro escapismo, para quem a faz e para quem a usufrui.

Alors on sort pour oublier tous les probèmes
Alors on danse

domingo, 1 de janeiro de 2023

partilhar*

1. fazer partilha ou a divisão em partes de = compartilhar, compartir, distribuir, dividir, repartir

2. ter ou experimentar os mesmos sentimentos, ideias ou pontos de vista = participar

3. ter as mesmas características que outro

4. narrar a alguém um sentimento ou uma experiência = contar, revelar

5. (informática) tornar acessível ou visível a outros utilizadores de uma rede ou através de uma aplicação = compartilhar

Vou dividir o ano nas suas semanas, vou participar e depois narrar e aqui compartilhar. Vou usar este espaço como um semanário público, um relato de experiências: trabalho, pessoas, passeios, exposições, livros, música, cinema, fotografia... Todas as sextas-feiras uma nova partilha. 

quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

2021 / 2022*

Ora lá se finou, sucumbiu, não vingou, esticou o pernil e no lugar dele logo outro está a espreitar, a esticar-se, todo interessado no que está para vir. 
Por aqui os planos estão resumidos em papéis, cheios de medidas e cálculos. Metros lineares, metros quadrados, metros cúbicos e a contar os tostões para não rebentar orçamentos.

Hoje a minha irmã e eu, farinha moída na mesma mó e encafuada no mesmo saco, entrámos numa loja chique, com um atendimento muito simpático e atento, e de seguida num armazém assim para o sujo e onde arrancar um bom dia aos funcionários é coisa para gente valente que não tem receio de ouvir grunhidos. Onde nos sentimos mais à vontade? Lamentavelmente no lugar rude, onde ninguém reparou na nossa existência.

Entro neste novo ano de fita métrica em riste, porque não tenho nenhum sabre de luz.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

OH OH OH  well... what can I say? I did draw, but not every day. Something really unexpected happened, drawing this la la la Christmas themed drawings made me feel very very anxious. At the time I didn't quite understood what was happening, each time I sat to draw my body reacted in very strange ways...

Then a few days ago I heard Kim Wad saying something like: " If you are an adult and look back to your Christmas childwood memories and you feel joyful, and this time of year makes you feel happy that is the result of your parents love." And then I understood, I was feeling the exact same thing that I feel every year, near the 5th of July and the 13th of September. The advent, those approaching days of something really unpleasant coming soon...

Joy to the world, dread on my household. 

But here are my very frustrated attempts:


















Bom ano novo!