terça-feira, 12 de dezembro de 2017

a saltimbancar, sempre...*
em 2016 tirei uma fotografia por semana ao atelier, quase sempre à quinta-feira. Foi um ano de muito trabalho e de mudanças constantes no meu espaço de trabalho (na altura atafulhado de móveis por recuperar). Foi revirado, pintado, recebeu uma janela nova e a persiana foi consertada.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

the shawshank redemption*
é um dos meus filmes preferidos, e quase que consigo associar qualquer cena do filme com o dia-a-dia, é um exercício que me faz rir. No início da minha odisseia pedi boleia a uma amiga e carreguei o carro dela com sacos e quando me libertei deles, foi tal e qual o Andy Dufresne a sair do esgoto, excepto o cheiro, a chuva, a trovoada... bem, na minha cabeça foi tal e qual, de braços abertos a saborear a liberdade. As coisas de tamanho médio já estão, sacudi as mãos, dei uma palmadinha nas costas e comecei a assobiar. Agora, cada dia levo pelo menos uma pequena coisa para fora de casa, o que me fez lembrar os passeios de Dufresne no pátio da prisão, enquanto ía espalhando pequenas pedras e terra, sem que ninguém desse conta.
Este meu recurso ao exagero pode dar a sensação que no meu atelier não há um centímetro quadrado livre e que estou atulhada em coisas. Não é o caso, mas havia, e ainda há demasiada coisa desnecessária a ocupar espaço e sobretudo tempo. As coisas ocupam tempo.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

tesourinhos 4*

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

tesourinhos 3*

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

tesourinhos 2*

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

tesourinhos 1*
já andava em arrumações extremas, quando num almoço de família, a minha cunhada me traz "uns sacos com coisas que talvez gostes, mas se não quiseres deita fora". Engoli em seco, não devia nem olhar, ai, vou ver...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

guarda palha como ouro e terás ouro como palha*
há qualquer coisa de esquilo em quem guarda coisas que não usa no dia-a-dia. Sou um super esquilo no que diz respeito a materiais (lixo para a maioria das pessoas). Madeira, papel, vidro, algumas coisas de plástico, restos de tecido... Aparentemente, há estudos que dizem que este comportamento é muito comum, e é resultado de um nunca se sabe, e se, e tenta dar segurança a quem acumula e também porque se aprende a guardar o que poderá vir a ser útil mais tarde.
Aqui há uma desculpabilização com o aspecto prático de utilização. Trabalhei há uns anos num lugar onde se faziam actividades com crianças e muito do meu ninho deu jeito na altura, tinha em casa materiais de graça, em boas condições e que poderiam ser reciclados depois de usados, óptimo.
Mas isso foi há cinco anos... Não quer dizer que tenha acrescentado muita coisa neste tempo, mas continuei a manter guardadas coisas a que já não dou uso e já nem tenho a desculpa de que as minhas sobrinhas podem precisar para a escola, porque já não vivemos na mesma cidade.
Outra coisa que até certa altura guardava religiosamente - livros. Adoro livros, mas em relação a estes estou mais descansada, essa adoração amadureceu e considero uma grande tristeza estantes de livros sem ninguém que os leia. Há mais de um ano tinha oferecido uma quantidade razoável à Biblioteca Municipal e há pouco tempo levei dois sacos carregados para uma loja de segunda mão que apoia animais de rua. Mas isto não quer dizer que tenha comprado muitos livros entretanto, o que fiz foi mais uma redução da minha biblioteca pessoal, talvez a maior até agora.
A acumulação mais parva que fiz foi a de um enxoval, não de casamento, mas de solteira, passo a explicar: queria alugar um T0 com vista para um muro (algo acessível ao meu orçamento, achava eu) e viver lá sossegada e feliz para sempre. Depois de anos de pesquisas e de algumas visitas a espaços miseráveis que no final pediam pagamentos mensais de 350 euros e bem para cima, sem qualquer conta incluída, achei que tinha que mudar de sonho. Quando digo miseráveis, digo que ninguém deveria ter que viver naquelas condições, muito menos a pagar, e nem sequer me considero nenhuma princesa da ervilha. Pois esse dito enxoval, constituído de pratos, copos, chávenas e outros utensílios de cozinha esteve esperançado dez anos (ou mais), uma década (ou mais), quase um quarto da minha vida... Há uns dias ofereci-o a uma amiga para ela usar ou para oferecer durante as festividades. Porque não o usei simplesmente? Porque partilho casa com uma pessoa que parte, em média, uma peça por semana, acho que o que tinha merecia melhor, depois de tantos anos de cativeiro.
Esta última acumulação é também a que considero mais interessante, há uns dias encontrei um termo num texto que traduz precisamente o que estava a fazer, estava a acumular para a minha fantasy self.
Decidi que tudo o que estiver remotamente relacionado com uma fantasia vai deixar de estar guardado. Ou é para ser usado e fica, ou então tem que ir para um lugar onde alguém use.
Curiosamente objectos mais associados ao passado não me dizem tanto, as memórias estão comigo, não preciso de provas. Tinha um dossier cheio de fotografias e uma caixa cheia de negativos e é com alívio que digo, que depois de uma selecção, fiquei com cerca de 5% das fotografias e 0% de negativos.
Este mês vou conseguir ter o que posso ter, o meu espaço de trabalho mais organizado e menos atafulhado.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

desatafulhar* desobstruir; desimpedir o que está muito cheio ou apertado

in Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora