sexta-feira, 24 de novembro de 2023

semana número 47*

Vi:

Parte de um campeonato de Patinagem Artística. 

Domingo de manhã as pernas pediram-me para ir a qualquer sítio e fugi por um bocadinho, cumprimentei um bando de gralhas ou corvos marinhos (sou um zero em ornitologia, quer dizer um dois à esquerda, consigo distinguir um pardal de uma cegonha), estava sol e o ar fresco, mesmo bom. Terminei, agora sim, de pintar o interior do roupeiro de arrumos. Usei restos de tecidos para fazer mais árvores, para outro topo de almofada. Fiz a "construção de legos" mais elaborada até agora, e ao fim de 49 passos criei a minha nova mini biblioteca. Nesta montagem pensei muitas vezes que certas partes teriam que ser feitas por duas pessoas, mas não foi preciso, fiquei toda orgulhosa, no entanto as costas ressentiram-se.

O álbum Balancê de Sara Tavares, ajudou-me, em 2006, quando compliquei a minha vida, como nunca o tinha feito (e ainda bem). Foi desde então a minha grande companhia nas exposições que realizei, ouvindo-o, horas seguidas, sem parar e sem nunca me enjoar. Uma inspiração, uma alegria, um entusiasmo, um combustível maravilhoso. Brigadu mana Sara.






sexta-feira, 17 de novembro de 2023

semana número 46*

Li:

Contos da Montanha de Miguel Torga - gostei muito, é um prazer ler.

Leva-me Contigo de Afonso Reis Cabral - fez-me rir bastante e emocionou-me, gosto muito de relatos de viagens e desta em particular por ter sido feita a caminhar (a minha forma preferida de locomoção).

Gatos, Mistérios Ronronantes de Ana Zanatti e Inês Galvão - uma ideia interessante, mas difícil de ler, infelizmente há muitas páginas em que o tamanho, as cores e o tipo de letra não foram bem escolhidos.

Vi:

Long Walk to Freedom (Mandela: Longo Caminho para a Liberdade) - O filme não é grande coisa, mas tem pontos positivos, um dos quais é o facto de Mandela não ter sido pintado como um santo, mas como um homem, e como tal com defeitos. A grandeza de Mandela está na sua inteligência e no que decidiu fazer com ela. O que fez após a sua libertação poupou muitos e muitos e muitos milhares de vidas. Infelizmente a África do Sul é um país com extremos de riqueza e de pobreza e consequentemente está cheio de violência, o apartheid deixou de existir, mas a sua injustiça e sombra persistem. Sem Mandela tudo seria bem pior.

Fui à biblioteca, desta vez não falei (não tinha nada a acrescentar ao que estava a ser dito) e gostei muito mais assim. A verdade é que gosto muito mais de ouvir do que de falar. 

Trabalhei no topo de uma almofada (há momentos em que penso que já está terminado, mas depois acrescento-lhe mais uma coisita). Decidi fazê-lo à mão, achei que o ar tosquinho lhe assentaria bem (o enervante perfeccionismo atacou-me muitas vezes, resisti sempre que pude, mas ainda desfiz algumas costuras).

Pintei o interior do roupeiro de arrumos, só falta o topo (que é separado).



sexta-feira, 10 de novembro de 2023

semana número 45*

Terminei de ler Os Náufragos do Autocarro (The Wayward Bus) de John Steinbeck - gostei muito.

Fui à biblioteca reabastecer.

Pintei o interior do roupeiro de arrumos com primário, que estava mais do que necessitado. Uma das paredes é uma das do exterior do prédio e outra virada para uma casa de banho...

Fiz dois centros de mesa, um pequenito e outro um pouco maior (ao som de filmes Harry Potter, tem que ser ao som de algo conhecido que não me distraia a vista).







sexta-feira, 3 de novembro de 2023

semana número 44*

Vi:

Les Plus Grands Peintres du Monde - Van Gogh - um pequeno documentário interessante sobre os últimos meses de vida do pintor e da sua enorme produtividade, durante um período tão difícil.

Quatro curtas metragens de Wes Anderson:

The Wonderful Story of Henry Sugar, The Swan, Poison e The Rat Catcher - gosto muito da forma como este realizador conta as histórias, e dá vontade de desenhar uma grande parte das cenas. Foi um prazer ver,  logo com vontade de ver mais vezes.

Beau is Afraid (Beau tem Medo) de Ari Aster - interpretei a primeira parte do filme, que decorre no bairro e apartamento de Beau, como um mundo onde a ansiedade é visível. É perturbador e angustiante como são as doenças mentais. Muito surpreendente.

Mais uma final de Snooker, vencida por Judd Trump.

Fui com a minha irmã à mais conhecida loja sueca. Em breve a minha pequena biblioteca irá para a sala.

Hoje fomos ver a exposição Arte Xávega da Meia Praia de Dina Salvador, gostei muito.

Limpei a mesa de trabalho e preparei para continuar a costurar.


sexta-feira, 27 de outubro de 2023

semana número 43*

Li:

Terminei de ler Nervo Ótico de Maria Gaínza - gostei, cada capítulo envolve um quadro ou determinado pintor e uma história da família ou amigos da autora, escreve muito bem. 

Li Rousseau de Cornelia Stabenow (daqueles pequenos da Taschen) - uma espécie de leitura em cadeia, devido ao livro anterior quis saber mais sobre este pintor. Gostei, acho que vou ter que encontrar uma biografia deste senhor.

Esta semana choveu muito, tive o prazer de andar à chuva, as temperaturas desceram, a F. voltou a usar-me como se fosse o seu saco de água quente (durante os meses de verão, não quer colos), fui à biblioteca ouvir uma conversa muito interessante com Dulce Maria Cardoso e Afonso Reis Cabral, coordenada pela jornalista Fernanda Almeida -  Diálogos ao Sul com o tema Literatura e Exclusão e fui  com a minha mana ao LAC para ver uma exposição e de seguida fomos almoçar.

Terminei todos os doodles, decidi terminar com alguma antecedência, porque preciso de arrumar a minha mesa de trabalho antes de recomeçar as costuras que interrompi.




no pátio da figueira do LAC
a figueira do LAC
Stencil de Nuno Viegas

Stencil de Nuno Viegas
Stencil de Nuno Viegas

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

semana número 42*

Li:

O Eterno Marido escrito por Dostoievsky - tenho pensado muito no que poderá ser dito sobre o livro, mas só me ocorre que é estranho. Adoro a escrita deste autor, mas este livro é esquisito. É estranho e esquisito.

Vi:

Sully (Milagre no Rio Hudson) - o filme é Écc, mas gostei de saber mais um pouco sobre o que realmente aconteceu.

Paris Police (Paris Polícia 1905) - comecei a ver esta série que está a passar na RTP2, deixou-me intrigada, a ver no que dará.

Mais uma final de snooker - Judd Trump é um dos jogadores que parece que a cada partida vai desenvolvendo úlceras nervosas. Mas este ano tem conseguido grandes resultados.

Terminei de ver Garden of the Year 2022 (Grã-Bretanha) - gostei muito de ver os diferentes jardins apresentados, o vencedor não é um tipo de jardim de que goste muito. Muito formal. Apesar de recente, achei-o antiquado, tresandava a dinheiro, mas achei-o com pouca beleza, quando comparado com outros. Para ter aquele nível de aprumo, a manutenção tem que ser realizada por muitas pessoas. Fiquei deslumbrada com alguns dos jardins e muito admirada por conseguirem ter determinadas plantas naquele tipo de clima. A paixão daquelas pessoas pelos seus jardins é contagiante.

Continuei a desenhar e pintar, mas desta vez sem a televisão ao fundo.


sexta-feira, 13 de outubro de 2023

semana número 41*

Li:

Terminei de ler Se isto é um Homem de Primo Levi, recomendado com a frase "todas as pessoas deveriam ler isto" e concordo. Infelizmente parece que o Homem não aprende nada, ou esquece-se com muita facilidade.

Árvores de Piotr Socha e Wojciech Grajkwoski - gostei muito, as ilustrações são lindas. 

Vi: 

Terminei de ver a série All Creatures Great and Small. Como no genérico dizia que é baseado na obra de James Herriot, pesquisei sobre o autor e fiquei curiosa para ler os livros, mas sobretudo a biografia escrita pelo seu filho. A série é de facto muito fofinha e as paisagens lindíssimas, mas como temia, os últimos episódios são já sob a sombra da segunda Grande Guerra. 

Continuei a desenhar e a pintar ao som de snooker.



Árvores de Piotr Socha e Wojciech Grajkowski

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

semana número 40*

Li:

A História de Roma de Joana Bértholo, o que senti ao ler isto foi que estava a invadir a privacidade e intimidade de Joana, sendo que, tal como em Deception de Philip Roth, autores e personagens principais partilham o nome e a profissão. O que é real e o que é mentira (criação)? Para além das versões dos acontecimentos que contamos a nós próprios, as que contamos aos outros e a que os outros nos contam temos este tipo de livros que nos expõem como pouco factuais. A música de Clarice Falcão - Eu me Lembro, brinca com isso mesmo. Em A História de Roma isso angustia, angustiou-me, porque para além de memórias criadas e mentiras contadas pareceu-me estar perante alguém que não vive bem na realidade e que aparentemente se apaixonou por alguém pouco decente que talvez a esteja a manipular. Fiquei interessada em ler mais coisas desta autora.

Vi:

Fui vendo e ouvindo partidas de snooker enquanto desenhava e pintava. Ainda não conhecia Moody, tem apenas 17 anos, cara de bebé e joga muito, achei mesmo que ia vencer a Brecel. 

Algumas provas do Campeonato Mundial de Ginástica Artística.

The 5th Wave (A 5º Vaga) - a ideia é muito boa, o filme é mal amanhado.

Terminei algumas costuras (blocos) e passei a ferro.
Decidi participar no doodle a day de ellolovey, desta vez usando tintas acrílicas. Estava tudo a decorrer bem até ao quinto dia, em que não consegui partilhar o que tinha feito, apesar de tentar inúmeras vezes. Fiquei aborrecida, primeiro pensei que tinha feito alguma coisa mal, claro, porque sou uma infoazelha. Mas depois de experimentar mais do que um computador e fazer mais devagar... percebi que não estava a fazer nada errado. O meu corpo começou a manifestar-se ansioso, "que estupidez não é caso para tanto, mas depois percebi porquê, é o facto de já não aguentar o empilhar de falhanços, mesmo quando é a feijões (daria uma péssima jogadora de snooker). Terei esgotado já todas as fontes de resiliência? Depois desta opereta dramática consegui fazer a partilha hoje...








sábado, 30 de setembro de 2023

semana número 39*

Terminei de ler A Tale of two Cities de Charles Dickens. Esperava bastante melhor. 

Vi: 

Watch Inside the Mind of a Cat - um documentário sobre gatos. 

Radioactive (Radioactivo) - gostei quando mostraram as repercussões das descobertas no futuro. Não fazia ideia que Irène Curie também tinha recebido um Nobel.

Terminei a manta (ainda não consegui tirar uma fotografia decente). Terminei duas estrelas (enchi apenas com desperdício de costura que vou guardando). Comecei mais umas coisas.

A semana terminou com a última super Lua do ano (depois de várias tentativas consegui tirar uma fotografia).





sexta-feira, 22 de setembro de 2023

semana número 38*

Terminei de ler Rebecca de Dapnhe du Maurier, tinha visto a versão cinematográfica realizada por  Hitchcock e a mais recente de 2020, e quando encontrei um volume em inglês na biblioteca, fiquei toda contente, achei que podia ser bom. O livro é muito melhor que os filmes, apesar de a primeira versão ser muito mais fiel aos acontecimentos e ao carácter das personagens, ambos pecam por se desviar de uma parte que acho de extrema importância: quando Jack Favell apresenta um bilhete e tenta extorquir dinheiro a de Winter, que reage de uma forma que surpreende, e muito, a sua mulher e o seu melhor amigo. No primeiro esta cena, que no livro ocorre em Manderley, decorre estupidamente no carro a meio do inquérito policial, no segundo é ainda pior, pois chacina os diálogos, as reacções, tudo. 
O ambiente do livro é extraordinariamente envolvente. Achei admiráveis as descrições da imaginação catastrófica de Mrs de Winter, da sua insegurança e da sua timidez (características que depois explicam muito bem a aceitação de uma realidade, que para a maioria das pessoas seria chocante, mas que para ela foi uma feliz revelação pois queria dizer que o seu marido a amava). Nunca tinha visto nada assim num livro, claro que isso nos filmes também se perdeu. Imagino que adaptar um livro de 400 e tal páginas para o cinema não seja a coisa mais simples de fazer, mas a versão de 2020 alterou a essência das personagens, porque actualmente não se podem contar histórias de homens com 43 anos que casam com uma miúda, que nem 20 teria, que a maltrata e é ela quem lhe pede desculpa, mas dever-se-ía.

Vi dois episódios da série Quantum Leap, é fraquita, mas tive curiosidade, pois a série de 1989 foi uma das minhas preferidas quando era miúda, se revisse agora, certamente seria uma desilusão, mas houve um verão em que ía a correr da praia para casa, para não perder um episódio.

Enquanto costurava, vi/ouvi a nova temporada de Glow Up, a vencedora foi a minha predilecta desde os primeiros minutos. Adoro ver o que conseguem criar.

Estou quase, quase a terminar a manta de Natal. Tenho uma estrela quase terminada.





sexta-feira, 15 de setembro de 2023

semana número 37*

Terminei de ler As Toleradas da Póvoa do Varzim (1871-1950) de Celeste da Rocha Coelho e Roberto Linhares de Castro Pires Martins - um estudo sobre a prostituição legalizada na Póvoa do Varzim. As raparigas com 16 anos já podiam matricular-se como prostitutas, a maioria escondia a sua profissão da família. Vinham de concelhos do interior e diziam aos familiares estar a servir em casa de alguém ou a fazer trabalho de costura (de facto a grande maioria das toleradas tinha sido criada de servir ou costureira. Profissões onde as raparigas eram facilmente abusadas pelos patrões ou "namorados" e depois abandonadas e despedidas por terem má conduta). Ao estarem legalizadas uma das suas obrigações era a inspeção sanitária semanal, que pensei ser um pouco mais criteriosa, mas consistia apenas em medir a temperatura, perguntar se estavam menstruadas ou grávidas e verificar se tinham tosse. Sendo que o objectivo era sobretudo prevenir a disseminação de doenças contagiosas sobretudo as venéreas, estas inspeções eram bastante ineficazes, pois só quando já apresentavam sinais de doença bastante visíveis é que eram proibidas de continuar a trabalhar e encaminhadas para o tratamento. Um processo muito triste , injusto e revoltante, pois tinham que pagar a inspeção e ainda eram encarceradas na cadeia até terem vaga no hospital. Uma grande miséria de vidas já miseráveis desde o início. Felizmente alguns médicos eram humanos e na tentativa de ajudar as prostitutas insistiram junto dos legisladores que fossem feitas mudanças e ao longo do tempo foram sendo estabelecidas regras de higiene nos colégios (bordéis) que fizeram com que o número de mulheres infectadas e consequentemente o dos seus clientes, diminuísse. Ao longo destes anos de que trata o estudo, as raparigas e mulheres iam para a Póvoa, sobretudo nos meses de Verão, mas a partir de certa altura algumas foram ficando ao longo de todo o ano. Nos registos quase todas as mulheres que sobreviviam, acabavam por ir viver para outros lugares, algumas conseguiam abandonar a profissão e casar, mas outras desapareciam. Achei estranho que não dessem qualquer justificação para estes desaparecimentos, é certo que os registos poderiam não ser muito rigorosos, mas a verdade é que não seria de estranhar, que tal como hoje, estas mulheres fossem facilmente alvo de homicídio. 

Revi uma miscelânea de meias coisas, resultado de zappings impacientes. Até que cheguei a All Creatures Great and Small (Veterinário de Província), uma série fofinha que está a dar na RTP2. Apesar de começar logo com um aviso - 1937... o que significa que o que estamos a ver são os últimos tempos felizes das personagens por quem já sinto carinho. A personagem principal é James Herriot um moço tímido que gosta de animais.

No sábado fui à biblioteca, e de todas as vezes acho que não consigo ir, por algum motivo, mas quero ir, então vou e depois volto toda contente.

Terminei de costurar os blocos de estrelas uns aos outros. Com os restos comecei a experimentar umas coisas.